ESPAÇO ABERTO - Sexo e drogas não combinam
PUBLICAÇÃO
sábado, 18 de outubro de 2003
Moacir Costa 
Esse tema é muito importante e sempre preocupante para os pais. Muitos acreditam que os filhos começam a experimentar drogas depois dos 15, 16 anos. Mas infelizmente, isso acontece muito mais cedo; em alguns casos, aos 12 anos. O perigo é ainda maior para aquelas crianças que não têm uma boa estrutura familiar, nem oportunidade de praticar esportes, além da falta diária de lazer. Como agravante, os pais permanecem a maior parte do tempo fora de casa. Nesses casos, o contato inicial com a cola, nas classes mais pobres, e mais tarde com o álcool e a maconha pode ser o início da dependência química.
Algumas drogas ativam o sistema nervoso central, outras o deprimem. Mas seja qual for o efeito final, elas sempre desencadeiam alterações na percepção sensorial e erótica com resultados negativos. Afinal, o prazer sexual envolve uma série de sensações que vão do olhar ao tato, as quais acabam sendo bloqueadas ou exacerbadas. Quem se droga perde o controle emocional, a capacidade de fantasiar e de vibrar com a sensualidade; é como se a pessoa estivesse emocionalmente anestesiada.
O álcool, velho conhecido por estar integrado à nossa cultura, passa a ser usado facilmente, e o uso constante dos aperitivos no convívio social, passa a interferir nas emoções liberando a agressividade e bloqueando o sexo.
A cocaína, por exemplo, a conhecida droga dos superpoderes, causa excitação mental tão intensa que fica difícil para o usuário identificar o seu verdadeiro desejo sexual. A euforia inicial, com o passar do tempo, provoca ressacas ou estados depressivos que bloqueiam o interesse sexual. As falhas de ereção, por sua vez, são inevitáveis. O mais assustador para o usuário, são as reações estranhas ou bizarras que a droga provoca no comportamento sexual.
Já a maconha, sempre foi motivo de dúvidas sobre os seus efeitos no sistema nervoso central. É importante salientar que dependendo da personalidade do usuário e da quantidade de princípio ativo existente na droga, os efeitos podem ser desde a simples sonolência e apatia, até distúrbios da percepção e comportamento, alterando o bem-estar.
Em relação à sexualidade, em algumas pessoas o estado de relaxamento e descontração provocado pela droga pode beneficiar inicialmente tanto o homem quanto a mulher com grau elevado de ansiedade, que se mostram receptivos ao contato erótico, com o passar do tempo a potência se reduz e o prazer dificilmente é atingido.
Na verdade, quando alguém se torna um dependente químico, a busca pelas drogas fica muito mais intensa do que a procura pelo sexo. Nesse sentido, é importante que a pessoa faça uma avaliação honesta: começou a recorrer às drogas por que tinha um problema sexual ou está tendo problemas sexuais por que começou a utilizar drogas?
No caso dos adolescentes, o quadro é ainda mais complicado porque a personalidade ainda está em processo de formação e amadurecimento. Nessa fase, a conduta e o comportamento do grupo de amigos exercem uma grande influência, passando a determinar atitudes e escolhas. Ao mesmo tempo, é comum surgirem inseguranças e medos inexplicáveis, sendo que a droga fantasiosamente apresenta-se como a solução para superar esses fantasmas.
Os pais precisam demonstrar afeto, amor e amizade pelos filhos, mas devem deixar clara sua posição contra as drogas, mostrando que esse caminho nem sempre tem um retorno tranquilo.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo


