ESPAÇO ABERTO - Sexo, dinheiro e poder
PUBLICAÇÃO
sábado, 06 de novembro de 2004
Moacir Costa 
Essas três palavrinhas estão sempre juntas nos dias de hoje, à medida que o sexo virou moeda corrente no mundo globalizado. O dinheiro está em alta, o sexo está em alta e o poder está em alta. Nada mais compreensível do que esses três ingredientes se juntarem. Os valores humanos, o mundo interior, o conhecimento e a experiência, consequentemente, sofrem uma baixa considerável, já que no universo do consumo e do descartável o que mais vale é um bumbum redondo e firme, acoplado a uma recheada conta corrente.
Há uma piada que diz que quem gosta mais de homem, na verdade, são os gays, porque as mulheres gostam mesmo é de dinheiro. Extraídos os preconceitos, o exagero e a generalização (comuns a qualquer piada), pode-se dizer que existe um pouco de verdade nisso aí. Pelo menos, quando observamos o mundo à nossa volta . . .
Mulheres mais jovens acompanhadas de homens bem mais velhos, com idade para serem seus avôs, são uma constante em restaurantes e bares. A garota que corre, como todo mundo, para pagar as contas, crescer e se consolidar financeiramente vê no homem mais velho a esperança de manter sua situação um pouco mais saudável, menos dramática. As crises econômicas diminuíram terrivelmente o poder aquisitivo das pessoas, especialmente da classe média. E é essa fatia que sofre, rala, faz fila de cinco horas para conseguir emprego, e chega a se prostituir para se sustentar.
É claro que não dá para culpar a mídia de tudo, mas olha novamente ela, especialmente a televisão, vendendo os apelos de que vale tudo pelo dinheiro. Além dos programas que se apóiam nessa vertente, há as personagens de novelas, os modelos das propagandas, as apresentadoras com suas merchandisings, os donos das emissoras, todos sorridentes dizendo: ''seja mais bonita e ganhe...; fique mais magra e conquiste; compre isso, compre aquilo; faça, pelo dinheiro...''
Essas mensagens constantes, diretas ou subliminares, ficam martelando nas mentes fragilizadas, especialmente das novas gerações. Não é por outro motivo que nove em cada dez pré-adolescentes de classe média pensam em ser modelo ou atriz. Há um fascínio fenomenal no mundo do dinheiro e da exibição.
Infelizmente vivemos a era da visibilidade, da preocupação com a imagem, onde as empreitadas como a educação dos filhos, o conhecimento, o trabalho criativo e social, pouco significam. Essa concepção esvazia as pessoas de valores humanos, e o mundo externo passa a ter muito mais importância do que o interno.
É claro que isso gera uma tremenda frustração porque um dia, há sempre um dia, cai a ficha e se percebe a grande cilada que é perseguir o sucesso a qualquer custo. Importa mais ''parecer'' do que ''ser'', e a consequência disso tudo é o stress, o aumento da insatisfação, e o desejo (inclusive o sexual) em queda livre.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo


