ESPAÇO ABERTO - Sexo: alegria ou frustração
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de julho de 2004
Moacir Costa 
É sempre esperado o momento de fazer amor pela primeira vez. Pode ser nos primeiros encontros, ou depois de algumas semanas ou meses. Mas ao acontecer, nem todos os casais se sentem realmente felizes. Por mais experientes que sejam, em geral, as pessoas sentem-se um tanto inibidas, nervosas, preocupadas para que tudo dê certo e às vezes inseguras quanto às expectativas que um tem em relação ao outro, neste momento tão desejado.
A primeira vez que uma pessoa faz amor ocorre um impacto muito especial. Esta experiência única lhe ensina um pouco a respeito de sexo mas nunca o bastante. É claro que depois de pensar e se preocupar com o assunto por tanto tempo, ela descobre como o sexo funciona ''na prática'' o que é sempre difícil de imaginar, ainda que se conheça muito ''na teoria''.
É muito raro que a primeira vez seja cheia de prazer, principalmente para as jovens, para quem o orgasmo não ocorre de modo fácil e automático. Em função disso, elas tendem a julgar que havia superestimado o sexo e que jamais o aproveitarão da forma como os outros parecem aproveitá-lo, nem da maneira como mostram as revistas.
Algumas pessoas são bastantes seguras quanto à decisão de sua primeira experiência sexual. Podem decidir-se por alguém com quem venham saindo há algum tempo e com quem tenham bons laços de confiança, além de conversar sobre métodos anticoncepcionais e dos riscos de doenças sexualmente transmissíveis, com a garantia de sexo seguro.
A questão da primeira relação sexual assume hoje uma importância maior do que costumava ter no passado. Agora, poucas pessoas se casam com o ''primeiro amor'' e permanecem com ele para sempre. Por isso, a maioria passa por uma série de ''primeiras vezes'' o início sexual de cada um de seus relacionamentos.
Antes de partir para um novo relacionamento sexual, uma decisão se impõe: submeter-se a um impulso momentâneo ou refletir bastante sobre o assunto? Qual será o momento certo? No primeiro encontro ou quando os dois já se conhecerem melhor? Não há regra definida.
O impulso sexual é bom quando ambos o sentem na mesma intensidade e quando não é ditado pela sociedade: ''você tem que transar...''. Portanto, nada de se submeter à pressão do parceiro, seja por efeito de embriaguez, por outra droga ou o que é pior, por algum tipo de chantagem emocional.
Cada vez mais cresce o número de pessoas que preferem esperar para fazer amor, à medida que não se sentem seguras e descontraídas o bastante com o outro para fazer sexo de imediato; optando por conhecer melhor o parceiro. Além disso, no dia-a-dia você tem conhecimento pela imprensa de números alarmantes de gravidez indesejável e o aumento de mulheres com HIV positivo.
Portanto, a escolha do momento e do lugar certo para fazer amor pela primeira vez merece ser avaliada a dois, com todo cuidado. Essas primeiras experiências sexuais podem marcar de forma positiva ou não a sua vida futura.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo


