A cada quatro anos, em situações de normalidade política, muda o prefeito, muda o secretariado e novos assessores começam a atuar. Mas os servidores concursados permanecem. São profissionais, são capacitados e, acima de tudo, são comprometidos com a cidade e com a população. E embora a Prefeitura de Londrina não tenha uma política de incentivos à capacitação, nossos servidores têm como prática investir em aperfeiçoamento contínuo e, por isso, estão entre os mais bem qualificados do país.
São os servidores que, mesmo diante das piores crises, mantêm os serviços em funcionamento. Chega a ser comum estes mesmos servidores tirarem do tempo pessoal e do próprio bolso para garantir que haja continuidade no atendimento à população. Situação que pode ser amplamente comprovada, principalmente, nestes últimos anos quando, apesar da instabilidade política e desmandos, a cidade não parou.
A cada mudança de prefeito, igual a todo cidadão, os servidores renovam sua esperança em uma administração séria, honesta e competente. Sempre, a cada nova administração, a conduta dos servidores foi e será a de trabalho e parceria. Porque, independente de partidarismos e preferências pessoais, o servidor tem seu principal compromisso com a cidade e o prefeito eleito no processo democrático.
Infelizmente, é comum alguns empresários, focados no seu meio e trabalho, não compreenderem que a administração pública é diferente da iniciativa privada. O desempenho dos servidores é regido por leis que têm de ser estritamente obedecidas.
Um exemplo claro é o artigo ''Servidor municipal, agora é a sua vez!'', escrito pelo pelo presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Eletro e Eletrônicos (Sindimetal) de Londrina, Valter Orsi (Espaço Aberto, 28/11). Nele, o empresário deixa claro acreditar que o servidor tem controle e pode fazer o que quer e, por isto, dependeria dele o bom funcionamento da máquina administrativa. Um engano.
Atribuir a situação atual da administração ao servidor é um equívoco e uma injustiça. Os problemas nos serviços públicos são resultado antes de um histórico de gestões ineficientes, incapazes e muitas vezes desinteressadas em fazer um bom trabalho, algumas delas afundadas em corrupção.
É público e sabido que a estrutura da prefeitura - incluindo todas as secretarias - está sucateada. Grande parte desta triste realidade é resultado de uma política de terceirização adotada por ex-prefeitos; uma forma de forçar a contratação de empresas privadas, propiciando negociatas e corrupção.
Os problemas que hoje vivemos têm ainda como fatores o baixo número de servidores por habitante e ambientes de trabalho inadequados e muitas vezes insalubres. Uma situação que expõe os que estão no atendimento ao excesso de horas extras, ao desgaste da saúde e a um estresse exacerbado devido à pressão direta que leva a adoecimentos e afastamentos. Na iniciativa privada, situações como as que são vividas diariamente pelos servidores gerariam multas e até o fechamento de empresas.
Na iniciativa privada cabe ao dono da empresa a responsabilidade pelo sucesso ou fracasso da mesma. Não se imputa ao funcionário a culpa, mas ao gestor que define as estratégias, delibera e determina as ações e práticas. Uma regra básica que se aplica também à administração pública.
Um novo prefeito foi eleito pelos londrinenses, entre eles muitos servidores. E novamente os servidores estão a disposição e esperançosos de que finalmente as mudanças tão esperadas, a modernização administrativa e, principalmente, um exercício comprometido com o bem de Londrina se tornem realidade.

MARCELO URBANEJA é presidente do Sindicato dos Servidores de Londrina (Sindserv)

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