ESPAÇO ABERTO - Sério isso?
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sexta-feira, 06 de novembro de 2020
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"Cogito ergo sum" (penso, portanto sou) é uma frase eternizada em latim que compreende grande parte do pensamento do filósofo francês René Descartes e está inserida em sua obra mais conhecida – Discurso sobre o Método.
Descartes teria chegado a esta conclusão após duvidar de todas as verdades então estabelecidas. Para o gaulês, ainda que duvidasse de todas as coisas ele não poderia duvidar dele mesmo, exatamente porque ele pensava – assim o pensamento seria o veículo conformador de nossa existência. Obrigado René...
Efetivamente "je pense, donc je sui" e, talvez por isso sempre critiquei e tenciono seguir criticando, a esquerda punitivista – "o anzol da direita fisgou a esquerda" – obrigado Criolo...
Tenho, entretanto, grande admiração pelos gauches e quase nenhuma empatia reversa. Mas sou obrigado a obtemperar o momento em que os paralelos históricos parecem se aproximar...
Essa tragédia se observa no encontro dos punitivistas gauches com a direita onipotente. Sim, há uma parte da direita emasculada que se julga onipotente e suas fileiras alinham de ‘quinta colunas’ a terraplanistas, passando por pelegos...
O facebook é seu cartel e as redes sociais costumam ser sua biblioteca; wikipédia sua fonte informativa menos rasa e o último livro que seus fanáticos leram foi uma bíblia – sem qualquer demérito, mas abandonaram a leitura quando chegaram em João, 19 e descobriram que, ao ser crucificado, Jesus não sacou nenhuma arma contra os romanos...
O terraplanismo nasceu, inclusive, quando a direita onipotente se cansou de não poder ascender aos céus em vida (afinal privilegiado deveria voar). Entediados, os onipotentes emasculados passaram a desvalorizar a hipótese da própria ascensão...
Assim, ao negarem a própria querença, sem querer parodiaram um fabulista literário grego (Esopo), reeditando as premissas de seu conto mais lembrado – A raposa e as uvas, onde uma raposa avista uma parreira com um cacho de belas uvas maduras em seu galho mais alto...
Em vão, a raposa tenta comer a uva. Salta uma vez, duas e, na terceira, desiste sem alcançar a fruta. Então o belo animal sai de cena dizendo: Não as queria (as uvas, lembrem-se); estavam verdes...
A cobiça insatisfeita, por vezes, torna o maduro verde.
É o que passa no facebook dos emasculados onipotentes: Acostumados a acreditar que eleições são fraudadas em latino américa sempre que a PIG noticia em favor dos interesses editoriais do dono do modo de produção (a prensa ontem, o sítio da internet hoje) ou quando a esquerda vence – foi assim com Chávez, é assim com Maduro; será que o petróleo tem alguma Venezuela com isso?
Fato é que hoje a grita se levanta à sombra daquele muro que não se fez e que separaria os pilgrims do grande povo do México. O reclamo se faz sentir por aqui (sim, há uma grita nos trópicos) e seu foco abarca a disputa eletiva dos estados unidos da América, entre o atual presidente republicano e seu adversário democrata.
Os emasculados onipotentes estão dizendo que há fraude porquanto é iminente o anúncio do resultado em favor do opositor democrata e isso parece lhes desagradar, apesar do apoio explícito de Wall Street e da PIG estadunidense em favor do candidato dos democratas – cogito ergo sum?
Será que esse povo raso tem ideia do que reclama? Ler – de Descartes a Esopo – antes de se deixar tanger evita a hora bovina, ao tempo em que nos preserva da vergonha de não ser, ainda que pareçamos.
Não se pode malferir a democracia sempre que nosso candidato perde uma disputa eletiva (ouvistes Aécio?). A ideia é, justamente, saber perder para, um dia, reconhecer a própria vitória – senão corre-se o risco emasculado dos que sempre gritaram fraude na conquista adversária, postularem a própria alucinação e gritarem a fraude em causa própria...
Tristes trópicos. Morais e Aldir, Tim e Elis, Ella e Amy, seguem fazendo muita falta – como o sorvete do "Nosso Bar" na pequena Fernandópolis de minha infância...
O que não faz falta é a ignorância dos que gritam sem pensar...
João dos Santos Gomes Filho, advogado.


