ESPAÇO ABERTO - Senhores juízes, prestem atenção
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quarta-feira, 12 de setembro de 2012
José Maschio 
A decisão do juiz eleitoral Luís Sérgio Swiech de proibir um dos candidatos à Prefeitura de Londrina de veicular críticas, no horário eleitoral gratuito, a um dos seus oponentes nos leva a uma reflexão. Até que ponto a legislação eleitoral tem contribuído para o caos que se instalou na política eleitoral brasileira? Essa legislação, que engessa o debate em emissoras de rádio ou TV e que proíbe a livre manifestação dos candidatos, é um prato cheio para o marqueteiro de plantão de uma ou outra candidatura. O que conta não são as ideias, mas a imagem que o marqueteiro vende ao público (eleitor). Discussão ética, probidade e passado dos candidatos, nada disso tem importância. O produto- candidato é vendido, bem embalado, em papéis de uma quase santidade.
No momento em que um candidato lembra que está em um processo eleitoral, e que campanha eleitoral é um momento para críticas, discussões de princípios e de colocar a limpo os posicionamentos políticos de cada um, a Justiça diz não. Para a Justiça Eleitoral Isso não vale. As regras do jogo não permitem nada mais que a propaganda, a hipocrisia eleitoral. No caso da decisão do juiz Swiech, as críticas proibidas estavam ''influenciando negativamente o eleitorado''. Preste atenção, senhor juiz: campanha eleitoral é justamente para influenciar negativa ou positivamente o eleitor. É para fazer o eleitor pensar, refletir sobre cada um dos postulantes e decidir.
A proibição - baseada em uma legislação esdrúxula - em nada contribui para o fortalecimento do nosso incipiente processo democrático. Contribui sim, para que cada vez mais espertinhos, bem falantes, auxiliados por um grande e caro esquema de propaganda assumam cargos. Não é de graça que os sérios, honestos, cada vez mais estão a se distanciar do processo eleitoral brasileiro. Prestem atenção, senhores juízes eleitorais e, por favor, deem sua contribuição para um processo eleitoral mais transparente, onde a história de cada candidato possa ser transmitida ao eleitor. Só assim o eleitorado poderá ser influenciado, positiva ou negativamente, e ter parâmetros mais sérios para escolher seu candidato. Do contrário, continuaremos com essa farsa, também chamada de campanha eleitoral.
JOSÉ MASCHIO é jornalista e professor colaborador do curso de Jornalismo da Universidade Estadual de Londrina
Risco à vida por nada útil
Voar no topo de um balão, como o programa do Faustão mostrou domingo, é considerado uma coisa gloriosa pelos apreciadores do espetáculo a qualquer preço e com risco de vida, mas uma inutilidade. O que se viu foi sem dúvida um ato de coragem, destacadamente da atriz curitibana (amadora numa tal façanha), mas tais coisas revelam-se um descaso para com o valor da vida. Recorde-se do que fez o padre paranaense Adelir de Carli, ao voar pendurado em mil pequenos balões, com a meta egoísta de ficar 20 horas no ar e bater um recorde mundial. Ele acabou caindo e afogando-se no mar. Seu ato exibicionista caracterizou-se como um suicídio, porque ele sabia que o pior poderia acontecer.
O mesmo ocorre com os alpinistas, os saltadores de jumping, os que fazem paraquedismo esportivo, os competidores de automobilismo e motociclismo ''voando'' a 300 quilômetros horários e os que se esbofeteiam brutalmente nos ringues do boxe. Alguns acabaram caducos. Os saltadores de paraquedismo em missões de salvamento, os bombeiros e os que se lançam em tantas jornadas perigosas para salvar vidas, estes sim são heróis. Já exibicionismos gratuitos não engrandecem esses aventureiros, embora eles sejam tão exaltados e recebam o apoio de patrocinadores. As mortes que ocorrem são também responsabilidade desses apoiadores. Ao menos se fosse levantado um estandarte com uma mensagem positiva para o mundo, já que esses eventos são tão focalizados, mas tal não ocorre (e também só isso não justificaria tanto risco).
Os motoristas e motoqueiros que fazem malabarismos nas ruas e estradas são da mesma forma suicidas potenciais e criminosos, por expor a perigo a própria vida e a de terceiros. E mais: quem se corrói pelas drogas, pelo fumo, pela bebida, pela gulodice, vai cometendo ao mesmo tempo um lento homicídio, porque assassina a si próprio. São estarrecedores os relatos de arrependimento feitos após a morte por essas pessoas que dão pouca importância à vida. O corpo físico é o envoltório da alma, portanto, dádiva divina e de grande valor enquanto vivo.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


