Instituída pelo presidente Juscelino Kubitschek em 1960, a Semana da Enfermagem, celebrada anualmente de 12 a 20 de maio, datas nas quais ocorreram, respectivamente, em 1820 o nascimento de Florence Nightingale e em 1880 o falecimento de Ana Néri, deixou de ser simples motivação para comemorações convencionais e passou a servir também de marco das conquistas acumuladas da categoria.
Com quase 1 milhão de profissionais registrados no Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), detém o quinto lugar no ranking da força de trabalho internacional nessa área. Desempenho que lhe garantiu assento na entidade internacional, sediada em Genebra (Suíça), e a presença de um representante na sua Junta Diretiva.
Não menos retumbantes são os êxitos internos. A supremacia numérica da carreira em relação às outras 13 profissões com atuação na Saúde chega a ser desconcertante. Concorre para o setor com 55% da mão-de-obra empregada. Com 94 mil profissionais ingressando a cada ano no mercado de trabalho, registra crescimento de 400% em relação ao conjunto daquelas outras, sem que isto a impeça de ser uma categoria de trabalhadores para a qual, rigorosa e comprovadamente, não falta emprego.
O salto tem sido também qualitativo. Cursos pós-graduação, patrocinados pelo Cofen e reconhecidos pelo Ministério da Educação, possibilitam ao enfermeiro qualificar-se, em determinadas condições, para fazer diagnósticos e até prescrever. Tudo com respaldo das normas legais e confirmado em memoráveis decisões judiciais contra tentativas malsãs de subtrair-lhe esses direitos. Foi o que ocorreu com a decisão do STF garantindo, em termos definitivos, o direito do enfermeiro pós-graduado na especialidade de exercer a acupuntura.
Pacífico por índole e formação, o enfermeiro segue sendo também a expressão mais autêntica da dedicação, da vocacão humanitária, da disponibilidade. Ninguém senão ele cuida de forma desvelada, 24 horas por dia, das pessoas nos seus momentos mais difíceis, que são os da enfermidade.
Tanta boa vontade e solicitude só não o tem impedido, enquanto profissão organizada, de abrir espaços que lhe são facultados por direito ou sinalizados pela realidade circunjacente. Foi assim que, chamado, entrou com todo entusiasmo no Programa Saúde da Família, lançado em âmbito nacional, de cujas equipes participa com dois terços dos membros. E o faz com certo júbilo cívico, porque se trata do primeiro passo sério dado em nosso país na direção da saúde preventiva, a única forma de dar um basta ao modelo curativo que aí está, socialmente perverso e economicamente insustentável.
A própria economia, aliás, beneficia-se por outros meios da ação desse profissional, que não desenvolve, nos locais onde presta serviços, apenas suas atribuições mais específicas. Realiza também levantamentos, fixa provisões, estabelece controles, funções estas que, ao servirem a fins estatísticos e de planejamento, atendem em última análise a objetivos econômicos. Esses são apenas alguns fatos que releva invocar quando se comemora, uma vez mais, a Semana da Enfermagem.
GILBERTO LINHARES é presidente do Conselho Federal de Enfermagem - Cofen

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