Estamos vivendo, no Brasil, momentos de insegurança e desânimo, e na medida em que nos deixamos conduzir por essa corrente, mais a robustecemos. Há que deter essa marcha, e isto é tarefa de cada um. Não podemos ficar em atitude contemplativa esperando que ocorra um milagre de salvação nacional. Toda a reforma que se deseja haverá de ocorrer pelo clamor e ação das massas, porque o povo é que muda os rumos do governo e não o inverso. O governo pode ser um forte agente colaborador se, no mínimo, puder absorver os anseios populares e não atrapalhar. Entenda-se por governo todos os poderes da República.
Apesar das leis perversas que punem a atividade produtiva - leis que emanam de governantes atrapalhadores - cada cidadão, cada empresa, cada instituição, deve converter-se num responsável minigoverno em sua área de competência, e se assim for, a onda se alastrará e irá varrendo tudo o que existe de indesejável neste país, fazendo que até os governos oficialmente estabelecidos acabem por se tornarem bons.
Nos imaginamos democratas só porque temos a liberdade de resmungar e lamuriar, mas não participamos do processo de modificação das coisas. Isto, então, não é democracia e sim uma contribuição nossa para a consolidação da autocracia governamental. Vendo-se despoliciados do povo, os governantes encontram o caminho livre para deitar e rolar. O resultado é este a que assistimos: prevalência para seus interesses pessoais, corrupção, enfraquecimento das instituições, adiamento das reformas necessárias e manutenção de leis inadequadas, contenção do desenvolvimento e expansão das misérias sociais.
Quem de nós cercou e cobrou os parlamentares da área, nos aeroportos ou portais da cidade, quando eles retornam semanalmente às suas bases? Eles simplesmente desembarcam tranquilos e imperturbáveis, como se não devessem explicações, eis que se habituaram a não ser cobrados. Devemos agir não só com relação aos parlamentares, mas com toda a autoridade pública e todo o agente do serviço oficial. Porque ninguém é mais soberano que o povo.
E, naquilo que também nos compete, como minigovernantes que devemos ser, não podemos robustecer a onda da crise. Se, em nossos negócios, simplesmente despedimos trabalhadores ao menor sopro de recessão, então nos igualamos aos maus governos e perdemos legitimidade para reclamar. Certamente que há outros caminhos para conter gastos sem que seja justamente o da parte que dói, que é a humana. Melhor seria averiguar nossas estruturas desperdiçadoras, mas temos propensão a atingir primeiro aquilo que provoca reação humana e repercussão.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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