Se há uma queixa comum nos consultórios médicos e de terapeutas sexuais, ela é sobre a sintonia e o ritmo. Mas isso é absolutamente normal já que duas pessoas, que formam um casal, têm personalidades, estilos, gostos, vontades e desejos diferentes. A graça da história, e é esse o grande sabor da vida, é conciliar essas diferenças de maneira criativa e prazerosa (em todos os sentidos).
Todas as pessoas mantêm um estilo de vida, uma maneira de ser e de agir de acordo com seu temperamento e sua personalidade. Há por exemplo quem seja mais lento nas respostas, enquanto o outro se destaca justamente pela assertividade. Como as divergências não são percebidas no namoro, tornam-se motivo de atrito no casamento. E fazem com que a sintonia, principalmente a sexual, acabe afetada.
Às vezes, é preciso até fazer concessões para tentar se aproximar do que o parceiro deseja. Um pode gostar mais de fazer carinho, de ficar horas nas preliminares sexuais, e o outro de transar rapidamente. É preciso, então, ter bom senso e encontrar um meio-termo para que isso não seja fonte de frustração. A maior área de atrito é sobre qualidade e quantidade de relações sexuais.
A mulher pode gostar de transar - bem - duas vezes por semana e o homem quer um sexo rápido, mais selvagem, quase todos os dias. Essa é a queixa mais comum dos pares e leva à infelicidade conjugal. Sabe-se que essa quantidade desenfreada de relações está muito mais ligada às ansiedades masculinas do que à necessidade afetiva. E quem disse que sexo todo dia e a toda hora traz satisfação? Ao contrário, não é a quantidade que faz o homem chegar a um estado de plenitude sexual.
Bem diferente dos desejos masculinos, a mulher valoriza mais os detalhes, os jogos preliminares, a manifestação de afeto. A excitação sexual dela vai se construindo em função do carinho recebido. O homem não, não precisa disso: se for estimulado na área genital, fica ''pronto'' em segundos. Essa falta de sintonia nesse instante crucial não acontece só devido às diferenças biológicas, mas por causa da cultura do aprendizado.
Desde pequena, a garotinha tem mais contato físico com os pais do que o menino. Ele não tem muita troca de carícias. Quando se torna homem, o máximo a que se permite é o corpo-a-corpo durante a partida de futebol ou, quem sabe, a briga para demonstrar quem é o mais forte. Mesmo com o pai, a figura masculina que sempre esteve mais próxima, a expressão de carinho físico é difícil, muitas vezes inexistente. Isso explica melhor por que o ritmo é tão diferente entre os sexos.

MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo
Caro leitor: Caso tenha dúvidas sobre ''Sexo'', ligue GRÁTIS para 0800.770.6543-SP, de 2 à 6, das 10 às 18h. O atendimento é realizado por médico ou psicólogo. Querendo saber mais acesse o site: www.projetoamarbem.com.brHYPERLINK

mockup