ESPAÇO ABERTO - Revitalização e seus significados
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 19 de abril de 2004
Humberto Yamaki 
Vivemos uma época de revitalizações. Revitaliza-se tudo: edificações, praças, avenidas, fundos de vale e até lixões. De fato, o dicionário Aurélio define o verbete revitalizar como: dar nova vida, revigorar, dar grau de eficiência.
Propostas recentes de revitalização de praças e avenidas têm-se resumido à troca de piso, substituição de luminárias, colocação de bancos e outras ''melhorias''. No entanto, a verdadeira revitalização pode ter outros significados. Por exemplo, ser uma operação que vise relançar a vida econômica e social de uma parte da cidade em decadência, a revalorização de atividades urbanas potenciais. (Carta de Lisboa, 1995)
O real projeto de revitalização de praças, talvez seja aquele que começa pelo entorno, e chega finalmente no vazio central, num todo integrado.
Praças no centro histórico de cidades novas como Londrina, devem ter reforçados o seu significado simbólico, social e cultural. É o caso da importante intervenção na Praça Marechal Floriano Peixoto, cujas obras sofreram interrupção momentânea, oportunizando uma reflexão sob outros enfoques.
Todos os elementos construtivos originais, deveriam ser mantidos intactos, como testemunhos da durabilidade das cidades. Um passeio pelo local e pelas fotos históricas de Londrina, mostra a simplicidade e dignidade do muro em pedra escura, antigamente chamado de ''muro da vergonha'', por conta dos casais que ali namoravam. O remanescente do muro de pedra é um dos elementos mais importantes, e merece ser preservado intocado. Muro e Casas Pernambucanas como marcas do lugar.
Se existe o mito da ''bandeira inglesa'', as rampas e acessos ''em asterisco'', deveriam servir para reforçar a sua forma. Intervenções para acessibilidade deveriam ser neutras, e não ''artísticas''.
Lembro dos ''bancos-bola'', que marcavam pela sua forma original, as praças do centro. Hoje, alguns estão no cemitério da cidade, e poderiam ser reincorporados à praça.
Praças vivas devem, além de tudo, ter usos múltiplos: social, cultural, comercial. Lugares onde se possa sedimentar a história, revigorar o senso de comunidade, de ligação entre o morador e o chão, a terra roxa. Fragmentos de otimismo?
HUMBERTO YAMAKI é arquiteto e professor de pós-graduação em Meio Ambiente e Desenvolvimento na Universidade Estadual de Londrina


