Revitalizar o trânsito de uma via é dar vida nova ao espaço por onde circulam os veículos e os pedestres que deverão fazer a travessia de forma segura. Tal revitalização não deve apenas objetivar a maior fluidez do trânsito, mas sim a direção segura dos condutores e dos pedestres.
Vale ressaltar que os maiores responsáveis aos sinistros ocorridos no trânsito se devem àqueles que circulam nela, dirigindo seus veículos ou mesmo atravessando as vias sem os devidos cuidados.
Portanto, a instalação de canteiros centrais é mais um estímulo que seus transeuntes devem interagir de forma segura e adequada. Fatos, comprovadamente, nos demonstram ser o homem o maior responsável pelos acidentes, diante das outras interações como as vias públicas, o ambiente e o próprio veículo.
A evidência do crescimento acelerado que Londrina vem passando, muitas vezes sem planejamento, nos fazem sermos vulneráveis nessa interação no trânsito.
Vejamos os noticiários sobre a revitalização da Avenida Maringá. Realmente, paralelo a sua revitalização, os responsáveis se esqueceram de sinalizar o trecho, viabilizando-se assim uma interação inadequada dos seus usuários com a via.
Contudo, o usuário ciente das obras ou não ao transitar por ela, percebe que a via não está lhe sinalizando como deve se comportar e, então, deverá prever e estar prevenido para conduzir-se com segurança. A quem compete essa segurança? Com certeza, recai sobre aquele que por ela desejar transitar.
Por várias décadas, se discutiu a revitalização da Avenida Maringá. No entanto, a preocupação das autoridades em mudar, alterar e modificar sempre esteve interessada em atender ao acesso comercial e pouco visava como deveria fazê-lo para que realmente o trânsito fluísse seguro e adequado.
Temos ali escolas, comércio, restaurantes e todos desejam atender seus clientes com os devidos privilégios, tornando inviável atender essa especificidade. Trata-se de uma avenida estreita para as demandas locais.
Por que as autoridades planejadoras, que teriam que ter como meta maior a segurança daqueles que por ali utilizam desse espaço, não enxergam que a alteração deveria ser a revitalização da mão única? Claro que essa modificação deverá estender com a intersecção com outras vias que determinarão as soluções esperadas.
Qualquer leigo percebe que o canteiro central da Avenida Maringá não é compatível com a pretensa proposta de segurança. Que finalidade ele tem? Apenas de separar os dois sentidos da via? Proporcionar ao pedestre a oportunidade de avançar à outra via? Seria esse espaço o ideal para receber a demanda de pedestres, cadeirantes e mães que transitam com seu filho no carrinho, quando se fala tanto em mobilidade e acessibilidade?
É possível que um pedestre ou vários que ali se instalam enquanto aguardam a oportunidade de atravessar a via, venha(m) a ser colhido(s) por um veículo, tendo em vista ser a via mais estreita ainda com a divisão de águas do local.
A decisão é sua ao estar dirigindo na Avenida Maringá: dirigir com segurança ou desrespeitar as regras mínimas de trânsito?

JULIETA ARSÊNIO é psicóloga especialista em Comportamento de Trânsito em Londrina

mockup