Vivemos num mundo de muitas mudanças. A informação é cada vez mais rápida e acessível. O Brasil é um país com regime político ''democrático'' e a população vive um caos na saúde. Você deve estar se perguntando, o que essas informações remetem à Odontologia?
Seria muito natural pensarmos que a Odontologia evoluísse com o passar dos anos. Não estamos falando de técnicas de atendimento, mas sim da melhora do modelo de negócio, que melhoraria o acesso a informações importantes para uma população carente desses serviços, além de aumentar a acessibilidade e demanda. Consequentemente, haveria uma população com melhores condições bucais e os dentistas com volumes maiores de atendimento.
Temos um selo vergonhoso: somos conhecidos internacionalmente como ''o país dos desdentados''. Esse rótulo seria plausível se vivêssemos num país com a economia em declínio, falta de faculdades de Odontologia e poucos dentistas na ativa. Mas não é essa a realidade. Temos uma economia em alta, grande número de faculdades, grande número de dentistas com consultórios vazios e uma população com mais de 190 milhões ainda perdendo os dentes após os 40 anos.
Esse paradoxo tem como um dos grandes responsáveis, as restrições de publicidade impostas pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO). Entendemos a grande necessidade do Conselho para regulamentar o setor, porém não é isso que acontece. Qualquer ação, mesmo dentro das normativas do código de ética, é reprimida de forma velada pelo CFO. Há uma tentativa de nivelar a Odontologia por baixo.
Se não bastasse a situação atual do código de ética, que restringe publicidade de clínicas particulares, prejudicando o acesso da grande população a serviços odontológicos, ainda levantam propostas de veto total à publicidade em massa. Temos que andar para frente, nos adaptarmos ao mercado atual. Essa restrição de mídia faz com que a população troque a saúde bucal por um simples equipamento eletroeletrônico.
Vejam a proposta feita pelo Conselho Regional de Odontologia de São Paulo (CRO-SP) para inclusão no atual código de Ética: ''Parágrafo 1º - É vedada a divulgação de serviços odontológicos em veículos de comunicação de massa, como rádio e televisão''. Será que o CFO tem o direito de privar a população do impacto positivo de uma propaganda na televisão?
O CFO, dentistas e população têm que ter a consciência que estão no mesmo barco, o que é bom para um, é bom para todos, contanto que regulamentado, e não vetado. Temos que alinhar as visões e parar com esse cabo de guerra que existe entre Conselho e a classe odontológica, pois quem perde com isso é a Odontologia e a população brasileira.
Extremismos nas propostas e decisões dos conselhos regionais e federal de Odontologia não são as melhores soluções. Cuidado, essas decisões podem impactar negativamente o Conselho Federal e, pior, trazer consequências severas para nossos 190 milhões de habitantes. Não queremos mais o título de país dos desdentados.

FERNANDO MASSI é cirurgião dentista em Londrina

mockup