Eras um mito, um gladiador, um terror aos vilipendiadores, aos delinquentes, aos atravessadores na longínqua Brasília. E por todos os cantos deste Brasil, te cantavam em verso e prosa, as tuas proezas, os pequenos, os fracos, os pobres e, principalmente, nós, ''pés vermelhos''.
Ainda no Egito (Brasília), tu dizias a brados gritos para todos os brasileiros que virias nos salvar da opressão dos cobradores de impostos, dos pedágios, que irias abrir os cofres para pequenos e pobres produzirem, e ainda nos daria leite e mel.
Requião! Requião! Que mal te fiz eu (nós)?
Fizemos-te sair do Egito, digo, Brasília, com o maná de nossos celeiros, fruto da nossa força de trabalho, te demos o trono, e tu nos ufanaste de nós, e ainda embalamos a tia Maristela, teu Eduardo, teu Mauricio e outros mais! Pagamos o teu dízimo, os dízimos de todos os que levaste contigo, assumiste a nossa dignidade, os nossos desejos e levaste para teu trono nos nossos sonhos!
Requião! Requião! Que mal te fiz eu (nós)?
Enquanto homens, mulheres e crianças pobres vagueiam pelas ruas a catar lixo, a pedir esmolas, enquanto os piás andam a cheirar cola, a fumar crack, as prostitutas viram as madrugadas, as mães correm a trabalhar a troca de comida e pagas as pinguetas de seus homens bêbados e desempregados, a troca do nome de maridos abnegados!
Requião! Requião! Que mal te fiz eu (nós)?
Já dobraste os pedágios, aumentaste as praças e, senão as autorizaste, porque nada fizeste para abaixar pela metade ou acabar como tu nos disseste naquele teu debate em que nosso aval ganhaste? Lembras-te da segurança, quando acumulaste o cargo para diminuir as mortes dos nossos manos e permitir o nosso sono?
Requião! Requião! Que mal te fizemos nós (eleitores)?
Se nada do que prometeste fizeste, o que te leva a vir a nós, se satisfazer de nossa pequenez, nos ironizar, saciar de nossa pobreza e nos achincalhar com a tua arrogância?
Se nem as tarifas de água e luz conseguiste controlar, quem pensas que és para nos oferecer um megaventilador?
Se nada te fizemos, que venham os teus megaequipamentos, pois quem sabe as tuas branduras também cheguem aos céus com ventos?
Se nada te fiz, agora oro por ti e por tudo isso e, com ventos, vou ao Aeroporto para que minha oração chegue ao cristo. Amém!
RAQUEL FERREIRA BASSETTO é presidente do Conselho Comunitário Feminino de Londrina

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