Existem três tipos de medicamentos hoje em dia. Os éticos, os genéricos e os similares. Você sabe qual a diferença?
Quando um médico receita um remédio, ele sabe o efeito que aquele medicamento fará no organismo, a dose adequada, os efeitos colaterais, eventuais interações medicamentosas, etc. O objetivo é a melhora da saúde, o alívio de sintomas e, principalmente, a qualidade de vida da pessoa.
Os medicamentos chamados éticos são aqueles que são vendidos através de receituário médico e que, devido à confiabilidade da prática clínica e dos laboratórios farmacêuticos, são recomendados aos clientes.
Os genéricos, por outro lado, trouxeram grandes benefícios. Além da qualidade, que é controlada pela Anvisa, que testa sua biodisponibilidade e bioequivalência, isto é, a dose e absorção correta destes, eles fizeram com que os preços dos outros medicamentos também baixassem.
Mas junto com as vantagens, vieram também as desvantagens. Aproveitando-se da onda dos genéricos, muitos balconistas de farmácias ''empurram'' os chamados similares. A pessoa chega à farmácia com uma receita médica e o balconista apresenta outro medicamento diferente alegando que é um ''genérico'' e que, além disso, é mais barato. Só que muitas vezes é um similar, cuja eficácia não foi testada pela Anvisa.
Segundo pesquisa realizada pela empresa Ipsus Opinium-Worlwide Social e Opinion Research para o grupo Pró-Genérico, 34% dos balconistas oferecem, espontaneamente, alternativas de medicamentos diferentes das prescritas nas receitas médicas apresentadas no balcão da farmácia; das alternativas oferecidas, 42% são medicamentos chamados similares incentivados (medicamentos bonificados, nos quais os balconistas recebem comissões sobre as vendas).
Um medicamento similar não goza da confiabilidade da prática clínica ou do selo de um grande laboratório farmacêutico, nem do teste de eficácia realizado pela Anvisa. Um medicamento cuja dose ou efeito é incerto é extremamente perigoso. É como se estivéssemos dirigindo um veículo, cuja direção não respondesse às manobras no volante. O barato pode sair caro. Aliás, pode sair muito caro.
Para evitar este risco, não permitam que, sob nenhum aspecto, sua receita seja trocada na farmácia e façam suas compras em grandes redes ou em uma farmácia de confiança, para que este risco seja diminuído. A receita médica é um documento e a sua troca é crime.
Zelar pela saúde é dever não só dos médicos, mas dos pacientes também. Também é responsabilidade daqueles que vendem os medicamentos.

ALBERTO TOSHIO OBA é médico gastroenterologista em Londrina

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