As cidades se reinventam mundo afora. Uma década atrás, Paris e Londres idealizaram as primeiras praias urbanas. Eram instalações de lazer temporárias, localizadas às margens dos rios que cruzam a cidade. Desde então, o numero de praias em metrópoles sem mar vem crescendo, o que demonstra o seu potencial.
Este ano, São Paulo resolveu criar suas praias urbanas, como proposta de humanização da cidade. Ao contrário dos exemplos existentes, possíveis porque seus rios foram despoluídos, as praias não ficam às margens dos rios Tamanduateí ou Pinheiros. Visitei a praia urbana do Largo São Francisco, inaugurada há poucas semanas. Esse espaço livre era recortado por duas grandes grelhas de ventilação do metrô e considerado "perdido".
Vamos ao projeto. O elemento principal é um deck de pranchas de madeira, de cerca de 15 metros de largura por 40 metros de comprimento. O deck possui vários níveis e escadarias que, aproveitando a declividade do terreno, vai se amoldando em forma de bancos e mesas. A vegetação que existia no local foi mantida. A instalação é muito bem executada, apesar da destinação temporária. A plataforma de madeira possui, no piso, encaixes para guarda-sóis, que podem ser emprestados junto com cadeiras de praia. No alto da empena do edifício existe um telão onde são exibidos filmes temáticos. Eventos e feiras gastronômicas serão realizados no local, visando fortalecer a atratividade.
Um fato curioso e divertido acontece na grelha de ventilação do metrô. Ali, a cada passagem do trem no subsolo, a corrente de ar faz subir inúmeros fitilhos coloridos, amarrados nas hastes da grelha. A vida do subsolo da metrópole reflete como movimento na superfície.
A praia urbana inicia o dia impecavelmente limpa e pronta para o uso. Exemplo a ser seguido. Um módulo policial ali perto garante a segurança dos frequentadores. O resultado inicial é muito bom. São Paulo se reinventa.
Retorno a Londrina. Discutimos durante muito tempo a abertura de rua no meio do Bosque. Seria um bom momento para a criação de uma praia urbana com projeto de forte personalidade. Ainda que temporário, seria um laboratório para criação de espaços públicos distintos, com forte caráter, em Londrina.
Outra praça em discussão é a Jonas Faria de Castro. É uma daquelas praças triangulares que surgiram como adequação da diagonal Quintino Bocaiúva com o traçado xadrez do centro de Londrina. A sequência de praças segue pelo espigão: Getúlio Vargas, 15 de Novembro, 21 de Abril e Jonas Faria de Castro. De cada uma delas se avista a outra. São reconhecíveis pela densa copa das árvores das praças que cobrem a rua no trecho. Na florada, as tipuanas tingem o chão de amarelo. Em reforma recente na praça 21 de Abril, foram pintados todos os bancos e guias, um de cada cor: vermelho, lilás, azul, verde. Teria sido uma ação em mutirão? Um banco com design dos anos 50, com encosto em forma de ameba, trazia gravada a propaganda de uma oficina da "Q. Bocaiúva 875, Fone 1887". Foi tudo pintado de verde. As intervenções em praças de Londrina poderiam seguir diretrizes visando à preservação do que é significativo de cada época.
Por ultimo, considero importante a mobilização da comunidade para a recuperação da praça Jonas Faria de Castro. Reinstalar o busto e a placa, recuperar e deixar impecáveis os canteiros e o mobiliário. Uma praça homenagem, certamente, não necessita de equipamentos de ginástica ou cabine telefônica vermelha. É um espaço simbólico, de reviver a história do lugar, observar o movimento da rua, e, o mais importante, uma praça para ser vista também da janela do ônibus. Uma praça digna de ser vista como parte da paisagem em movimento. Londrina, aos 80, poderia se reinventar.

HUMBERTO YAMAKI é coordenador do Laboratório de Paisagem da Universidade Estadual de Londrina

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