ESPAÇO ABERTO - Região Metropolitana: omissão ou descaso?
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quarta-feira, 05 de novembro de 2003
Barbosa Neto 
No Brasil, com raríssimas exceções, os grandes aglomerados urbanos estão situados nas regiões metropolitanas das capitais dos estados. Muitos fatores contribuíram para esta característica da urbanização em nosso País. Um desses fatores é o fato de que as capitais de estado, por serem a sede de governo, acabam sendo contempladas generosamente nos orçamentos estaduais com grande volume de investimentos principalmente na área de infra-estrutura, muito além daquilo que geram em receitas tributárias para o seu estado, contrariando inclusive a filosofia de que governar é acima de tudo distribuir renda de forma a permitir um desenvolvimento equilibrado e harmônico.
Este fato leva a percepção popular a acreditar que as capitais de estado na prática, acabam tendo dois prefeitos. O prefeito propriamente dito e o governador de Estado. Talvez seja exatamente por isso que após o final da II Guerra Mundial, quando a migração do campo para as cidades se acelerou, as capitais dos estados começaram a inchar, chegando a proporções catastróficas pela impossibilidade financeira e física de se responder à altura a esse fenômeno.
Isso fez também surgir no interior do Brasil aglomerados urbanos com características de regiões metropolitanas e todas as necessidades e os problemas que acompanham estes fenômenos como uma demanda maior por habitação, destinação final de resíduos sólidos, serviços de educação e saúde e problemas de meio ambiente de relativa gravidade. Os problemas decorrentes da conurbação representam um grande desafio para as administrações municipais, pois exigem estreita cooperação e aporte de recursos, quase sempre inexistentes nos orçamentos municipais, para o enfrentamento destes problemas comuns.
A Constituição do Brasil e, por consequência, as constituições estaduais previram a criação, através das leis específicas, das chamadas regiões metropolitanas, como forma não só de centralizar as ações e resoluções dos problemas que afetam os diversos municípios que compõem tais regiões, mas como forma de permitir um planejamento mais eficaz dos problemas comuns e também maior eficiência na aplicação de recursos nestas áreas.
Aqui no Paraná, Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu já apresentam características de conurbação que plenamente justificam a criação de suas regiões metropolitanas. No caso específico de Londrina, desde 1998 através da Lei 81 está autorizada a criação da região metropolitana, mas até agora nenhuma ação concreta ou passo, por mais tímido que fosse, se deu para a sua efetiva implantação. Pior ainda, nem o Plano Plurianual, que representa na prática a vontade política do governo, contempla a sua efetivação.
Não se trata aqui de desmerecer a alocação de mais de R$ 90 milhões a serem aplicados na região metropolitana de Curitiba, verba quase três vezes superior que o previsto para o ano de 2003, em execução. Mas isto é bem o sintoma de como o atual governo de Roberto Requião pretende agir, governando de costas para o interior do Paraná.
Londrina já foi a capital econômica e política do Paraná pela contribuição relevante de todo o povo do Norte do Paraná através da força de sua agricultura e da resistência democrática de suas lideranças políticas nos tempos obscuros da ditadura. Hoje Londrina corre o risco de perder a sua condição de terceira maior metrópole do Sul do Brasil, além de ver cair a sua posição no ranking do IDH no Estado e no País. Os índices altíssimos de violência que colocam a cidade no topo da lista de homicídios, por exemplo, é reflexo do desemprego e do empobrecimento da nossa população e cuja revisão dependem fundamentalmente não só da melhoria da conjuntura nacional, mas também de investimentos na sua qualidade de vida em termos de estrutura.
Para sensibilizar o governo só nos resta a mobilização de todos os segmentos da sociedade organizada para fazer lembrar ao governador que ele foi eleito para governar todos os paranaenses. A verdadeira integração política e sócio-econômica só se consolida através de um tratamento igualitário a todas as regiões do Estado, principalmente através da alocação justa e equilibrada dos recursos do orçamento.
BARBOSA NETO é deputado estadual pelo PDT


