Quando encontro com um amigo e o percebo pessimista, faço sempre a mesma recomendação: levante-se bem cedo, ao raiar do sol, sozinho pegue seu carro e faça um passeio até Arapongas; quando chegar de volta, sua visão das coisas terá mudado. Quem vive na nossa região sabe que as dificuldades aqui são sempre passageiras, superáveis rapidamente.
Nos últimos anos perdemos prestígio político e até econômico. Teriam esses fatos tanta importância? Se pensarmos em termos regionais, diria que não muita. Cambé e os nossos outros vizinhos continuaram crescendo, o que, se avaliado em conjunto, explica a pujança local. No fundo percebe-se que Londrina é só uma denominação legal, pois vivemos numa conurbação urbana, o sucesso de uma cidade ligado ao sucesso da outra.
Digo todos os dias que isso é maravilhoso. Quando faço projeções para o ano seguinte penso no conjunto, até porque nem trabalho aqui, mas em Cambé, com muito prazer.
Na última campanha política assistimos a uma acusação estéril: Londrina tinha ''perdido'' uma grande indústria para nossa cidade vizinha. Evidentemente, os fins eram meramente ''eleitoreiros''.
Podem até me dizer que legalmente Arapongas não faz parte da Região Metropolitana de Londrina, mas do ponto de vista real, faz sim. Digo mais: quando Maringá vai bem nós também ganhamos, e vice-versa. Daí falar-se até em ''metrópole linear''. Temos uma forte identidade comum. Comungamos os mesmos objetivos, nossas origens são muito parecidas.
Existe no papel uma lei que criou a RML, que como muitas leis brasileiras parece ter sido feita para ficar engavetada. Cabe a nós tirarmos essa lei da gaveta, com dotação do governo estadual ou não. Isso dependerá da nossa vontade política e da nossa capacidade de integração. Por que esse debate está hoje no ar? Porque existe uma consciência de que unidos seremos mais fortes. Unidos poderemos reivindicar a parte que nos cabe dos recursos estaduais disponíveis.
O arquiteto Nestor Razente, da UEL, em entrevista recente, colocou muito bem dois aspectos a serem urgentemente estudados: a questão dos mananciais, que abastecem a região e que percorrem vários municípios, merece tratamento integrado, o mesmo acontecendo com o sistema viário. Por que não pensarmos desde já numa malha viária ao invés de numa única rodovia como é hoje? Por que não pensarmos numa legislação industrial integrada? Por que não estabelecermos uma política comum de emprego? Por que não idealizarmos um sistema de saúde mais capilar e equilibrado? Finalmente, por que não fazermos nossas solicitações políticas em bloco? Londrina sozinha só representa 500 mil habitantes, mas se nos sentirmos como região, seremos o dobro disso.
JUNKER DE ASSIS GRASSIOTTO é engenheiro civil, mestre e doutorando em arquitetura e urbanismo, presidente do Sinduscon-Norte.

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