Espaço Aberto - Reforço no combate ao câncer de próstata
PUBLICAÇÃO
domingo, 16 de novembro de 2014
Décio Prando Moura 
Foi aprovado pelo Senado no final de outubro o Projeto de Lei 34/2005 - que segue para sanção da Presidência da República -, que fortalece o Programa Nacional de Controle do Câncer de Próstata. O projeto determina a capacitação de profissionais da saúde na prevenção e detecção da doença e estabelece em 50 anos a idade mínima da população masculina a ser beneficiada com exames de detecção precoce desse tipo de câncer. O objetivo é atender melhor a faixa etária com maior incidência de câncer de próstata.
A notícia é boa e terá um resultado muito positivo se for colocada em prática, uma vez que o câncer de próstata se destaca como o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não melanoma, segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca). O órgão estima o diagnóstico de 68,8 mil novos casos da doença em 2014 no País. Em 2011, o número de mortes, segundo o Inca, foi de 13.129. Em valores absolutos é o sexto tipo de câncer mais comum no mundo e o mais prevalente em homens, representando cerca de 10% do total de cânceres.
A aprovação do projeto reforça as ações e reflexões da campanha Novembro Azul, que pretende conscientizar sobre o câncer de próstata e a importância do homem cuidar da saúde e realizar os exames preventivos. Além, obviamente, de cobrar melhorias na saúde por parte do governo federal. O Senado, por exemplo, em sessão especial para reforçar a campanha, pediu mais urologistas no Sistema Único de Saúde (SUS). No ano passado, lembraram os senadores, o Ministério da Saúde gastou apenas R$ 3,6 bilhões dos R$ 8 bilhões previstos para a saúde do homem.
Mas é importante também que o homem procure o médico com rotina e faça os exames necessários, deixando de lado o medo e os preconceitos que envolvem o diagnóstico da doença. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) alerta que o homem tem medo de ir ao médico. Em 2013, destaca, o SUS realizou 15 milhões de consultas ginecológicas e menos de 3 milhões de consultas urológicas (e o urologista trata tanto do homem quanto da mulher).
É urgente que o público masculino reflita sobre os cuidados com sua saúde e procure o médico com mais frequência, já que a resistência aos exames o leva a descobrir a doença já em estágio avançado. Entre os exames para o diagnóstico da doença estão o toque retal e o de sangue (PSA), com periodicidade anual. Se esses exames sugerirem a doença, é indicada a ultrassonografia pélvica ou prostática transretal, que poderá mostrar a necessidade de biópsia, para ter um diagnóstico mais preciso e, assim, poder determinar o melhor tratamento para o paciente.
A SBU ainda recomenda que homens a partir de 50 anos procurem seu urologista para discutir a prática e a realização da avaliação. Aqueles com maior risco da doença (história familiar, raça negra) devem procurar o urologista a partir dos 45 anos. O câncer de próstata não pode ser prevenido. Mas há 90% de chances de cura quando diagnosticado precocemente. O Inca alerta que manter hábitos alimentares saudáveis ajuda a diminuir o risco de câncer e outras doenças crônicas. Recomenda ainda atividade física regular, redução do consumo de álcool e não fumar. É preciso destacar que o câncer de próstata no estágio inicial tem evolução silenciosa e pode passar despercebido, por isso a necessidade de realizar exames de rotina e preventivos. Se localizado tardiamente, pode levar a óbito.
O governo precisa oferecer, sim, mecanismos de divulgação e conscientização sobre a doença, e ainda disponibilizar recursos e infraestrutura para a realização de consultas e exames. Assim como todas as entidades e instituições de saúde, sejam elas públicas ou não. Mas é fundamental que o homem reflita sobre a importância de cuidar da sua saúde e procurar ajuda médica. O Novembro Azul é um reforço de que a saúde precisa ser cuidada o ano todo.
DÉCIO PRANDO MOURA é médico radiologista em Londrina
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