Uma relevância fundamental para o pensamento brasileiro, hoje, não se encontra somente nas ''grandes'' academias, mas, também, em vários locais laterais do saber, como ocorre com o pensador londrinense Leonardo Prota.
A partir de dois princípios básicos: - o valor heurístico, ou seja, a negação de dogmatismos e verdades universais, e o valor nomotético, o respeito total ao homem como ente único criador de sentido para o mundo, propõe uma noção de interdisciplinaridade que se relaciona com a leitura integrada ou consenso introspectivo.
Todo pensamento e toda ''disciplina'' não passam de uma manifestação consequente do saber ''crítico'' do sujeito e, por isso, apresentam um necessário diálogo multilateral que envolve os vários locais culturais: - um médico, por exemplo, tem uma relação necessária com um professor de letras: - os problemas de um podem ser melhor visualizados pelos problemas do outro.
Prota não quer achar uma ''solução'' universal, pois seria uma sistematização incoerente, prefere, ao contrário, definir a educação segundo o ''consenso introspectivo'' que critica o trabalho universitário atrelado exclusivamente a uma tendência técnico-profissionalizante: - as universidades seguem um modelo pragmatista que nega a necessidade de uma cultura geral e desinteressada formando elementos presos em ações ligadas ao caráter profissional, utilitário e monetarista exacerbado.
Não nega, todavia, os cursos profissionalizantes, mas avisa da necessidade do aparecimento das ''artes liberais'' e da capacitação do corpo docente segundo uma criação filosófica e cultural, próxima das artes e da literatura. Estes seriam os fundamentos para a educação incipiente do sujeito: - o estudante de direito, mesmo tendo a disciplina de ética e de filosofia nos primeiros anos, acaba interpretando-as como sendo ''matérias frias'' e espera ansiosamente pela adorada ''parte processual e prática''.
O pensamento de Prota cria uma das inovações da Escola Culturalista: - ele atualiza o pensamento dos valores para o mundo presente, o mundo da vida, no sentido de implementar um diálogo entre diferentes conceitos, mas sempre defendendo a liberdade de discordar e de criar do próximo.
Foram, talvez, esses sentimentos humanísticos, justos e dialogais que afastaram o filósofo londrinense de correntes ditas ''oficiais'' do pensamento acadêmico, aliás, consequência previsível diante da falência da nossa educação superior, extremamente presa em disputas políticas e colocações egocêntricas, pois o saber ''autêntico'' não nasce nos frios e solitários corredores das salas de aulas, mas ascende no franciscano pensamento jubilado nos lírios do mundo.
TIAGO TONDINELLI é pós-graduado em Filosofia Moderna e Contemporânea e mestrando em Literatura na Universidade Estadual de Londrina

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