Quem diria, heim? Hoje a TV Globo lança, para seu nicho mercadológico, seus feitos jornalísticos na época da ditadura e da transição democrática. Como percebemos é pura retórica. Vale lembrar que o sistema Globo de Televisão teve seu apogeu na época dos militares - a ditadura sanguinária -, com uma concessão de pai para filho. Vejam caros leitores o que diz Thomas Skidmore, em seu livro ''Brasil: de Castelo a Tancredo'', pg. 222, 6 edição de 1988:
''Em 1960 apenas 9,5 das residências urbanas tinham TV, mas em 1970 já chegavam a 40%. Quando Médici assumiu, o Brasil tinha 45 emissoras de TV licenciadas. Seu governo concedeu mais de 20 licenças e nesse processo ajudou consideravelmente o crescimento da Rede Globo. Criada por um império jornalístico conservador muito bem-sucedido, a TV Globo aceitara anteriormente financiamento parcial das organizações Time-Life. Seus adversários - especialmente aqueles ligados a uma rede de TV concorrente que estava perdendo suas licenças para a TV Globo -denunciaram que os laços financeiros desta com Time-Life violavam a lei brasileira de telecomunicações que proíbe a propriedade por estrangeiros de órgãos de comunicação. O governo rejeitou a denúncia, e a TV Globo continuou a crescer ultrapassando suas concorrentes como líder de audiência. Diziam seus críticos que esta ascensão podia ser explicada pela defesa dos interesses oficiais através da programação da Rede Globo durante o governo Médici''.
Como observamos, hoje, a Rede Globo está buscando no fundo do baú arquivos de filmes e/ou reportagens jornalísticas que mostram a sua luta pela democracia. Puro engodo! A TV Globo foi a emissora de televisão que mais apoiou os que estavam no poder, no passado. Sabemos, também, que a Rede Globo foi a que mais resistiu a idéia de Lula se tornar presidente. Aliou-se a Collor de Mello e Paulo Maluf. Fez um trabalho importantíssimo para ajudar Collor se eleger.
Hoje, como vemos, a Rede Globo se veste de cordeiro aliando-se ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao PT. Como é do conhecimento da grande maioria inteligente de nosso país, a Rede Globo fabricou o maior corrupto que esse país já teve, Collor de Mello.
Não está sendo colocado em questão o padrão jornalístico das Organizações Globo, que por sinal é ótimo. O que está sendo colocado em questão é a forma com que a Organização Globo faz seu jornalismo.
Como é do conhecimento de todos, os narradores jornalísticos obedecem a uma forma diferenciada para expor os noticiários em suas maneiras de transmitir, bem como em fazer comentários, evitando, assim, despertar curiosidade no espectador. Ela só transmite o que lhe convém, tudo de acordo com seus interesses.
É, justamente, o que vemos hoje. Observe, a Rede Globo foi a primeira a entrevistar Lula em seus estúdios, quando de sua vitória. Foi, também, a primeira televisão a penetrar no Palácio, em Brasília, para mostrar o dia-a-dia do presidente Lula. Como observamos, repete-se a mesma rotina. Com os outros presidentes também foi assim, principalmente com os militares.
Como sempre a Rede Globo não perde nunca, apenas soma. Prova disso estão sendo as chamadas mostrando os feitos do Jornal Nacional, ao longo dos anos, colocando apenas aspectos políticos positivos. Observamos que é uma estratégia bem formulada, mas retórica.
Ela deveria colocar, como chamada, as realizações das Copas do Mundo de futebol. Nessas, sim, ela foi a estrela principal, pois sempre comprou tudo, sem deixar para seus concorrentes um ''taquinho'' sequer. O quê nos deixa amargurados e desconfiados é ver Lula ser exclusivista, de quem no passado foi seu maior algoz. Quem diria, heim?
GILBERTO JORDÃO é professor universitário em Maringá

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