Na década de 70 quem fortaleceu os sindicatos foram os movimentos grevistas, principalmente os do serviço público. A CUT e o PT nasceram com apoio e dinheiro dos servidores públicos e sindicatos. Daí em diante todas as reivindicações de servidores, com greve ou sem, foram feitas através dos parlamentares do PT que apresentaram aos montes projetos de leis e emendas aos projetos e MPs.
Lula e muitos integrantes do movimento sindical foram perseguidos e presos mas jamais foram abandonados pelos seus companheiros. Uns fugiram para outros países, outros fizeram plástica para se esconder e outros mais continuaram aqui lutando. Trinta anos depois, Lula, após perder as eleições presidenciais por três vezes, foi eleito com apoio da CUT, de todos os sindicatos, principalmente dos servidores públicos.
PT e CUT defendiam, inclusive com greves, direitos legítimos dos servidores. No governo, PT e CUT consideram agora privilégios o que antes eram direitos. Não foram os sindicatos nem as entidades associativas dos servidores que mudaram, estes continuam unidos reivindicando os mesmos direitos, que o atual governos e seus parlamentares apoiavam no passado.
A sociedade em nada vai ser beneficiada com a reforma da Previdência apresentada, muito pelo contrário vai piorar e o governo fará caixa e aumentará os lucros dos bancos e seguradoras. Infelizmente esse governo não quer negociar com ninguém, seu rolo compressor é pior que o de FHC, e ameaça inclusive retaliar, expulsando os rebeldes e não recebendo e dialogando com os sindicatos e entidades.
Dizem que a greve comprometerá a governabilidade e enxovalha a credibilidade do atual governo. Entendemos que o que enxovalha a credibilidade do atual governo são seus ministros e alguns parlamentares que rasgaram seus discursos, que mancharam suas biografias e que enganaram seus eleitores com promessas ou bravatas como disse o presidente Lula.
Prometeram acabar com a fome, criar 10 milhões de empregos, aumentar o salário mínimo para 200 dólares, fazer a reforma agrária, aumentar o salário dos servidores conforme a inflação e repor perdas do governo FHC, não se aliar à ALCA, não pagar dívida externa, não aceitar proposta nem dinheiro do FMI, não aumentar luz, água, telefone, gasolina, gás de cozinha, cesta básica, Imposto de Renda, não cobrar inativo, não diminuir a pensão para 70% do salário, acabar com CPMF e com o seguro apagão, cobrar devedores da Previdência e não cumprir a lei que manda devedor do INSS para a cadeia.
Inventaram crise e déficit na Previdência para alterar a Constituição e não garantir direitos justos e conquistados ao longo dos anos. Comparar um ministro do Supremo a um cortador de cana, sem observar o papel de cada um, dizer que para ser presidente do Brasil não precisa falar inglês nem ser formado em nenhum universidade, é estimular a ignorância.
Tratar os servidores públicos como párias da sociedade, criar o Fome Zero e o Primeiro Emprego sem qualquer estrutura e aumentar a carga tributária das empresas, é um contra-senso. Seguir à risca determinações do FMI, que faliu a Previdência na Argentina e do Chile, não cobrar os R$ 160 bilhões dos grandes devedores, fazer vista grossa com a renúncia contributiva de R$ 10/12 bilhões/ano e com a sonegação que é de 40% da receita, querer multiplicar por três a carteira de Previdência complementar, faz parte da privatização do INSS. É por estas razões que os servidores públicos voltaram a fazer greve.
PAULO CÉSAR DE SOUZA é presidente da Associação Nacional dos Servidores da Previdência Social (ANASPS)

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