ESPAÇO ABERTO - Racismo e consciência
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Flávio Balan e outros 
Quando uma pessoa ou instituição é chamada de racista, pelo menos um crime está sendo cometido. Se a acusação é verdadeira, há um crime hediondo: o de discriminar um ser humano pela cor de sua pele. Se a acusação é mentirosa, trata-se de calúnia. Ambos os crimes são intoleráveis. Quando a calúnia é cometida por uma autoridade pública, que deveria zelar pela verdade e a justiça, a situação se torna ainda mais grave. Pois foi exatamente isso que aconteceu com a publicação do artigo "Feriado de 20 de novembro: a consciência necessária", assinado pelo promotor Paulo Tavares e pela professora Maria Nilza da Silva (Espaço Aberto, 23/11). Logo na primeira frase, o promotor e a professora acusam de racismo as instituições que lutaram contra a realização de mais um feriado no Dia da Consciência Negra.
Causa-nos estranheza que os autores defendam a realização de um feriado contrário à legalidade. Promotores e sociólogos deveriam lutar pela lei, não pelo seu descumprimento.
Não bastassem a pesadíssima carga tributária e as trapalhadas na economia, os empresários e o conjunto da sociedade agora serão obrigados a arcar com dias de folga criados ao bel-prazer dos políticos? Quem vai ressarcir as perdas de produtividade na indústria e a paralisação nos serviços públicos? Quem vai pagar os prejuízos dos pequenos comerciantes obrigados a fechar as portas? Quem vai repor as aulas perdidas por nossas crianças (aulas que poderiam abordar a questão do racismo e da cultura negra)? Na verdade, quem paga pelo feriado é o povo. É a cidade. É você que está lendo este artigo, não importa a cor da sua pele.
Nossa sociedade tem graves problemas a resolver especialmente nas áreas da saúde, educação e segurança. Acreditamos que os meios mais adequados para enfrentar esses desafios estejam no diálogo e no entendimento entre todos os grupos sociais. As entidades empresariais paranaenses pregam o caminho da união e do respeito à lei. Só unidos e não divididos por motivações ideológicas poderemos vencer o crime, a injustiça e as mazelas sociais.
Londrina nasceu como empresa. No momento em que nos preparamos para entrar no 80º ano de emancipação do município, é lamentável que representantes do Ministério Público e da universidade tentem criminalizar a atividade empresarial, associando-a a um crime hediondo como o racismo e subestimando a importância da produtividade econômica para o desenvolvimento social.
O racismo é moralmente abominável, como também o são o autoritarismo, a demagogia e a corrupção. As entidades empresariais sempre serão solidárias à extinção das desigualdades, sejam elas oriundas da diferença de cor, raça ou etnia, e continuarão a defender o desenvolvimento de uma sociedade justa e igualitária. Quando as entidades empresariais da cidade lutaram contra a PEC 37, que restringia os poderes de investigação do Ministério Público, atuaram em defesa da lei e da liberdade. Não era uma carta branca para que os seus representantes atacassem a lei, a liberdade e a honradez das pessoas.
Nossas entidades ajudaram a construir Londrina com a união de todas as culturas, etnias e religiões. Merecem um pedido público de desculpas.
FLÁVIO MONTENEGRO BALAN é presidente da Acil;
VALTER LUIZ ORSI é presidente do Sindimetal Londrina;
GERSON GUARIENTE é presidente do Sinduscon Norte Paraná;
YUKIO AJITA é presidente do Sincoval;
RAINER ZIELASKO é presidente do Sistema Faciap e
EDSON CAMPAGNOLO é presidente do Sistema Fiep
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