ESPAÇO ABERTO - R$ 6 milhões: por quê?
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terça-feira, 02 de março de 2004
Alex Canziani 
A polêmica está instalada. Qual o destino do terreno do antigo Colégio Londrinense? Aquela área está há mais de 30 anos parada e eis que, repentinamente, vira local de grande interesse. Ninguém, em sã consciência, pode ser contra a construção do teatro municipal! O que representaria, em termos de oportunidades, a apresentação de grupos culturais? Imensurável, não? O teatro certamente atenderia à demanda cultural de Londrina e região. Sem dúvida seria um importante ativo para todos!
A questão hoje, porém, não é esta. O grande questionamento é construir o teatro numa das muitas (e bem localizadas) áreas públicas ou no terreno de R$ 6 milhões, onde antigamente funcionava o Colégio Londrinense e o ginásio Colossinho, como quer o atual prefeito.
E ele insiste em dizer que o único interesse em se fazer o teatro naquele terreno particular é viabilizar um empreendimento voltado para a cultura do nosso povo, e não inviabilizar a vinda de um empreendimento da maior empresa do mundo (revista Fortune), como o Wal-Mart, que pode gerar preciosos 400 empregos.
Mas poderia você, leitor, dizer que o município não iria pagar R$ 6 milhões e que a desapropriação seria feita pelo valor venal de R$ 2,8 milhões. Esse valor, entretanto, não seria pago hoje e com certeza haveria contestações. Passados anos e anos do processo legal teríamos, sim, todos nós, que pagar esta conta. Então, lanço a pergunta: será que a atual administração tem tanta vontade de construir, mesmo, o esperado teatro municipal?
Se analisarmos o plano plurianual da Prefeitura veremos uma série de metas e projetos que se pretendem fazer na cidade: ''... pretende-se desenvolver núcleos de qualificação da produção cultural. Temos a Escola Municipal de Dança e a Escola Municipal de Teatro e vamos criar a Escola Municipal de Música, a Escola Municipal de Rádio e TV, o Centro de Artes Populares e Visuais, a Oficina Técnica de Cenografia e o Núcleo do Texto...''
Em cada uma das propostas há uma série de dados. Apesar de se falar - e bastante - de projetos e idéias a única lembrança de algo parecido com o teatro municipal é uma linha que diz simplesmente: ''Construção do Centro de Espetáculos do Município.''
Da mesma forma, no Orçamento de 2004 há a ''vontade'' de se construir o teatro com o valor de apenas R$ 150 mil, que também seria destinado a ''ampliar os espaços culturais à disposição da população londrinense, através da construção de centros culturais dotando-os de infra-estrutura para realização de cursos, oficinas e demais atividades, conforme demanda e orientação da política cultural do Município. Construir o Centro de Artes Populares. Reformar prédio para a Escola de Música. Construir o Teatro Municipal com recursos do Município''.
Houvesse, todavia, o real interesse em se construir o teatro no terreno do antigo Colossinho, por que passados mais de seis meses de declaração de utilidade pública ainda não foi feita a desapropriação?
Gostaria, ao final, de deixar minha contribuição para o caso - que, aliás, já a havia feita no final do ano passado: deixar o Wal-Mart adquirir o terreno do antigo Colossinho e pegar o terreno da Sercomtel, ao lado do Iate Clube, e fazer ali não apenas o teatro mas também um centro de convenções, para podermos sediar eventos, shows, apresentações e tantas outras possibilidades.
ALEX CANZIANI SILVEIRA é deputado federal pelo PTB-PR


