ESPAÇO ABERTO - Quem mede um partido
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2004
Carmelo Zapala Giufrida 
O pequeno pode ser circunstancial. Qual foi o tamanho inicial do carvalho e do Cristianismo? Cadê os grandes dinossauros e o Império Romano? Tamanho não é documento, competência sim. Não é assim que se expressa a sabedoria popular?
A forte influência colonialista e militarista portuguesa, em nossa história cultural e política, sufocou, no nascedouro, o desenvolvimento de correntes políticas, que pudessem veicular, com peculiaridades nacionais, as genuínas aspirações, de um povo com características tão universais e particulares como o nosso. Sob uma impiedosa pressão, fomos adormecidos, em berços esplendidos, vacilando no exercício de nosso potencial, como cidadãos capazes de exercer a plena cidadania.
Não acreditamos, com a devida intensidade pessoal e coragem coletiva, naquilo em que o Tiradentes vislumbrou como uma Pátria de homens dignos e livres, senhores de seu próprio destino. Com a abertura política, o surgimento dos chamados ''pequenos'' partidos, marcou de modo importante, com a vivência de uma identidade partidária, a busca do necessário e urgente resgate histórico, e de uma efetiva participação política.
Isto deu muito certo. A fé, a persistência, o trabalho e a dedicação de seus militantes, conduziu alguns deles ao time dos, hoje, chamados grandes partidos. Que bom! Mas que perigo também. Pois a tão propalada e filosoficamente denominada ''miserável condição humana'' é muito propensa à ação corrosiva do poder. Neste campo se não houver a devida vigilância e autocontrole, pode ocorrer a tentação, comum aos grandes, de se tornarem partido de Estado. Estes de triste memória na história mundial recente.
E vamos mais a fundo, um sintoma disto é a eliminação de toda divergência interna. Discordância que, em nosso entendimento, é o motor da dialética e o melhor antídoto para não se perder o senso crítico da realidade. Afinal o pano de fundo deve ser a democracia.
Quando necessária, a renovação política encontra nos pequenos partidos uma boa via alternativa. Começa contando pontos não possuírem o poder da máquina estatal para influenciar ou manipular a sociedade, não estarem engessados com o fisiologismo do ''toma lá dá cá'' e nem compromissados com ''besteiras'' alheias.
Estas benditas ausências impõem a seus integrantes competência, honradez e senso de propriedade, pois não possuem dote nem a maldita herança inter vivos. Sim, é verdade que existem os partidos ''de gavetas'' e os venais, mas aqui estamos falando de coisa séria, e não destes arremedos, que se tornam um desserviço à democracia, levando os eleitores ao descrédito quanto à política séria.
Compete ao eleitor vigilante e consciente distinguir, dentre os partidos em crescimento, aqueles que são sérios, pelos candidatos e pelas propostas viáveis, daqueles que não dizem a que vieram. Os primeiros são verdadeiros veículos ''alternativos'' das justas expectativas de mudanças, quantos aos últimos não percamos tempo. Noutro cotejamento, agora entre os chamados grandes e pequenos partidos, existe a possibilidade de se perceber - se existirem - as coisas grandes que estão no pequeno, ou o vazio no grande, quando possuírem apenas um grande desejo de poder.
Que bom que em última instância, quem mede a grandeza ou a competência de um partido, seja qual for seu tamanho, é o eleitor consciente, capaz de perceber pela politização suas atuais possibilidades e as futuras de seus descendentes. Política não é para se gostar ou não. É para se praticar, e praticar bem.
CARMELO ZAPALA GIUFRIDA é diretor de Planejamento Estratégico da Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra (ADESG) de Londrina


