ESPAÇO ABERTO - Quem faz a piada?
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Manuel Joaquim R. dos Santos 
José Dirceu e a banda podre do PT são uma piada! Querem os brasileiros na rua protestando contra o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF). Dizem que a imprensa foi responsável pelo achincalhamento dos condenados e teria ''pressionado'' o STF a condenar os autores do chamado mensalão. Acham-se injustiçados pelo veredicto. Devem tacitamente concordar que ''é melhor morrer do que ir parar nas prisões brasileiras''. Ou pior: estão convictos de que ''gente grande'' não rima com penitenciária.
Essa gente não percebeu ainda o óbvio. O Brasil teve no julgamento do mensalão e na performance dos eminentes juízes, talvez o segundo momento mais importante depois da redemocratização. Como bem referiu o ministro Joaquim Barbosa, as acrobacias criminosas da compra de votos no Congresso e a certeza da impunidade que possivelmente guiava os seus autores, corroía e dilacerava os pilares da democracia. Traduzindo: antigos opositores à ditadura e revolucionários pela instalação do regime democrático minavam, na calada da noite, protegidos pela arrogância que caracteriza os integrantes de um regime totalitário, as regras básicas e elementares do regime democrático. Legislativo não é curral nem estrebaria do Executivo. Em nenhum lugar onde esse sistema existe.
O Brasil como um todo vibra com o resultado desse julgamento. Não é para menos. Antes o País era levado a acreditar que as instituições pareciam funcionar apenas para alguns e que a classe política escaparia às garras da Justiça ou se refugiaria em meros arranjos cooperativistas nos respectivos fóruns de poder. Entendemos muito bem que alguns ministros do STF tenham tido um tratamento excepcional de carinho nas redes sociais, enquanto outros... Por razões óbvias, apenas compreendidas pelos que detêm até hoje a sabedoria e o feeling que caracteriza o povo brasileiro. O Supremo devolveu à nação muito mais do que no momento possamos avaliar ou medir.
O PT não é diferente do PSDB ou da maioria dos partidos. Nas palavras do ex-presidente do STF Ayres Brito, talvez tenha apenas perdido o ''entusiasmo'' (a alma) que o movia no início, na luta pelos ideais que o geraram. Os partidos brasileiros se deixaram seduzir pelo poder. Os projetos de governo abriram alas ao conforto e à pseudossegurança que são encontrados nos ambientes em que uma caneta determina o destino de muitos cidadãos e de milhões de reais. Chega a ser insólito e irônico que se brigue nas ruas, principalmente em campanhas eleitorais, por esta ou aquela ideologia atracada aos vários partidos políticos. A reforma política que José Dirceu conclama para 2013 talvez lhe mostre o quanto seria bom para o país abominar para sempre esquemas como aquele que ele comandou como ''primeiro ministro'' do governo Lula.
Sair às ruas - como foi feito nas diretas já, na derrubada do Collor e noutras nobres circunstâncias - para criticar o Supremo e realizar um ato de desagravo aos condenados, é um ultraje à sociedade brasileira e as suas dignas instituições. Pedir a cadeia para alguém não é um ato vingativo da própria sociedade, como se acreditasse piamente que a reclusão refaz os danos causados. No entanto, a maturidade dessa mesma sociedade é o reflexo de suas atitudes, nomeadamente a aplicação do princípio da isonomia consagrado em todas as constituições democráticas. A lei é para todos. Sem exceção. Os réus devem sim ficar na prisão e com isso ser dada uma aula magna em todas as escolas brasileiras. Só seremos grandes como nação quando não titubearmos em questões de ética e fortalecermos as instituições democráticas. Quando acabar o culto à personalidade por mais serviços prestados à pátria. Ninguém está acima da lei.
MANUEL JOAQUIM R. DOS SANTOS é padre da Arquidiocese de Londrina


