Como entender uma legislação que diante de tantas injustiças, causadas principalmente pela excessiva demora nas decisões judiciais, ainda aceita férias de dois meses ao ano para os magistrados? Como entender e explicar aos não acostumados com o ''poder público'' a lentidão dos seus atos, a exemplificar inquéritos policiais e processos judiciais quase que intermináveis? Isto sem mencionar o que ocorre no campo da saúde, das finanças, dos tributos, da habitação, do lazer, da educação...

Não me venham os que estão no comando da administração pública dizer ou pensar qualquer ''defesa'' sofista, eis que há décadas nosso povo sofre muito. Melhoras sempre há, mas elas engatinham frente aos problemas. Traz mais justiça ao cidadão a certeza do não, que a incerteza do quando obterá a decisão. O filho cresce e respeita os pais quando ele percebe a certeza nas decisões, porém, quando se percebe a incerteza, reina a imaturidade; quando há demora, não há justiça nas decisões. Qualquer cidadão, seja o pobre ou o rico em conhecimento, sabe que para cura das doenças, exige-se remédio imediato.

Ressalta-se que aqui não se questiona o fato do magistrado usufruir dois meses de férias, já que lhe é direito, mas sim o fato da lei, ''criada por nós'' brasileiros, permitir tal situação; questiona-se a passividade dos órgãos púbicos que sempre dão as mesmas respostas para os problemas: ''estamos em processo final de licitação'' ou ''de contratação''. Não se trata este texto de repisar as mazelas nacionais, mas sim de procurar uma solução, de estimular a busca por uma saída, de fazer algo por um mundo melhor.

Nesta sociedade (Estado no amplo conceito político) passiva e muitas vezes omissa, o único combustível que parece movê-la é a cobrança pela opinião pública. Se não fosse um insistente (e inesgotável) patriotismo, um amor pelo povo (na imensa maioria ignorados e muitas vezes ignorantes - no sentido ''destituído de conhecimento'' dos dicionários) a pergunta não seria a que intitula estes breves escritos, mas sim esta: o que fazemos aqui?

Aos que observam a situação e encontram problemas, não cabe como última decisão a desistência ou o abandono (pertencentes aos fracos e covardes), mas sim a luta, o dever de mudar e de concretizar três sonhos (reconhecidos em nossa Constituição - norma maior que rege toda sociedade): 1) de um dia a sociedade brasileira ser formada em sua maioria por um povo que conhece e honra e a palavra cidadania; 2) que vivamos numa sociedade harmônica, fraterna e que resplandeça o amor ao próximo; 3) e que cada membro desse povo possa ser reconhecido (por uma fonte séria) como dotado de um trabalho, de uma vida e de famílias dignas e, principalmente, como seres humanos dignos.

JOSSAN BATISTUTE é advogado em Londrina

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