São 4h30, perco o sono e me vem à cabeça a frase acima - lembrança de uma antiga música – e pensamentos sobre um país com tanta corrupção. E, logo, um forte desejo de escrever - faço isso, me levanto e vou para o computador: é uma verdade entalada na garganta, não só de quem escreve, mas dos que não têm voz e que, muitas vezes, não têm oportunidade de se expressarem para o mundo. Então, eis que surge alguém que se arrisca a escrever e um jornal que aceita publicar. Apesar das redes sociais e seu poder imenso de possibilidades, dando voz a todos, mesmo assim, muitos não se expressam e muitos outros o fazem usando de argumentos para defenderem o seu ponto de vista. Mas, afinal, não defendemos um ponto de vista quando falamos ou escrevemos alguma coisa? Ou seria possível falar de algo sem que isso representasse nossos pensamentos e desejos?

Que país é esse em que vivemos, onde o que é certo parece errado e o errado parece ser o certo? Um país onde a caça come o caçador; onde ninguém é mais honesto do que um certo político - e esse mesmo político disse que o processo de corrupção só existe porque o governo criou condições para tirá-lo debaixo do tapete... que país é esse em que o réu pede a prisão do juiz? Que país é esse em que uma senadora disse que o Senado não tinha moral para julgar uma presidente da República e, revoltado, o presidente do Senado disse que era inadmissível ela dizer isso, já que ele teria conseguido desfazer o seu indiciamento no STF? Que país é esse onde um vereador ganha mais que um professor; onde a saúde está na UTI; onde o dinheiro público vai para o bolso dos políticos corruptos; onde um deputado federal diz em rede nacional que o nosso parlamento "é cheio de quadrilhas... onde são montados projetos para levar algum valor", e ninguém o contradisse? Não é tão vergonhoso assim, afinal, muito mais já disseram do nosso parlamento e quase tudo se confirma.

Lamentável viver num país onde sentenças são negociadas a "preço de ouro" - não que o valor seja o problema. Que país é esse onde querem aprovar o aborto; onde o crucifixo não é bem visto em alguns lugares; onde querem mudar a concepção de família? Um país onde o obrigam a andar com o farol acesso durante o dia, mas durante a noite as ruas estão às escuras? É impossível falar tudo em um pequeno espaço - complemente você, aqui mesmo nesse jornal, que abre espaço para o que você pensa.

Agora sei o significado da expressão "jeitinho brasileiro"; é a corrupção brasileira. Um país em que o aluno "cola" para passar de ano, do primário até a faculdade; e assim, a corrupção se torna endêmica; é aprendida nos bancos escolares; afinal, o que tem de errado em querer enganar o professor, não é? O que tem de errado falar quando o professor está ensinando, não é? Engana-se a si mesmo. Serão homens corruptos, profissionais corruptos, servidores corruptos, políticos corruptos... e assim segue a humanidade, ou o povo brasileiro - com suas belas praias e o seu carnaval invejado pelos turistas etc.

Somos um povo de fé, mas muitos já perderam as esperanças. Somos tratados como gado no matadouro e, aos poucos, estamos morrendo nesse lindo país tropical. Mas, afinal, quem é o dono da situação? Nós ou eles? Os corruptos ou o povo honesto? Vamos reagir a tudo isso - vamos gritar ao mundo inteiro que é linda a nossa família, que é lindo ser honesto e mudar a nossa posição de povo "trouxa" para povo "guerreiro". Encerro o texto, já são 6h10. Mais um dia se inicia e estou convencido de que o que escrevi é mesmo uma crônica dos que não têm voz.

MARCOS ANTONIO DE ARRUDA é estudante de Direito na Unopar e conciliador no Juizado Especial no Fórum de Cornélio Procópio

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