Uma democracia só tem sentido quando se dá o devido valor ao Poder Legislativo, considerando ter este a incumbência de fiscalizar o Poder Executivo, aprovando ou não os seus atos.
Quando se implanta uma ditadura a primeira coisa que se faz é a dissolução deste poder ou uma insidiosa campanha para denegri-lo ou, pelo menos, minimizar sua importância.
Ocorre que, apesar seu valor e da sua absoluta necessidade, ele é o mais vulnerável e o mais frágil, razão pela qual é o mais atacado, seja pelos demais poderes ou pela imprensa, que passam para a população uma idéia totalmente distorcida da verdadeira finalidade de sua existência.
Por exemplo, quase ninguém sabe o que realmente faz um vereador, cobrando quantas vezes assistiu à sessão plenária, ou quantas pessoas ajudou com dinheiro, ou quantos projetos apresentou, deixando de lado o seu verdadeiro trabalho, que exige dele estrutura moral, capacidade de análise, disposição para trabalhar, que é o de fiscalizar os atos do prefeito, estudando corretamente os projetos, para saber se eles são realmente úteis, se não estão superfaturados, e se não são de interesse de um grupo ou de parte da população apenas.
É aí que uma boa Câmara economiza muitos milhões para o município, não permitindo que se gaste um real a mais do que o necessário. Portanto, um vereador honesto e competente dá lucro para o município mesmo considerando que possa ganhar um bom salário, pois o que estamos vendo por este Brasil afora é a corrupção em todos os setores, o desvio de bilhões de reais e, pasmem, ainda a grande preocupação recaindo sobre os salários (que todos sabem o quanto é) como se fossem os grandes vilões do estado econômico precário do nosso país. Ouso fazer a terrível afirmação: mesmo que todos os salários fossem duplicados, mas houvesse um acordo de não mais haver corrupção, desvio de dinheiro, o Brasil teria o maior lucro de sua história.
Há corrupção no Executivo, no Legislativo, no Judiciário, na imprensa, na escola, na Polícia, nas empresas e até no botequim da esquina, do primeiro até o último escalão, razão pela qual algumas ações estão sendo deflagradas: Operação Gafanhoto, Anaconda, Cascavel e do jeito que as coisas andam haverá necessidade da Operação Cobra cega, Cobra d'água, coral, minhoca, lombriga, etc, pois a capacidade do ser humano de se corromper é infinita.
Aí, em nome de se fazer uma mísera economia vem a proposta de se reduzir o número de vereadores, o elo mais fraco de toda esta corrente mas não o menos importante.
Os deputados e senadores que se cuidem, pois se, por questão de economia, se deve diminuir o número de vereadores, imaginem a economia que se fará com um grande corte nas Assembléias Legislativas, na Câmara Federal e no Senado.
A quantidade de parlamentares diminui a possibilidade de corrupção em larga escala, pois sempre haverá aquela ''voz que clama no deserto'' e que conclama outras poucas vozes a gritar. O Brasil ainda sobrevive graças a esses poucos.
Os representantes das grandes corporações, do tráfico e de outras ''forças'' sempre serão eleitos, mesmo que diminua o número, pois contam com uma estrutura financeira fora do comum.
Com este afunilamento aqueles que representam os verdadeiros ideais do povo, mas que não dispõem deste ''background'', serão fatalmente alijados do processo, e é isto que muitos querem.
Penso que, antes de se forçar a diminuição do número de cadeiras no Legislativo, que se promova ampla discussão, pelo menos para que o povo saiba realmente para que serve este Poder e vote escolhendo melhor os seus representantes.
GERSON ARAÚJO é pastor, ex-vereador e membro do Diretório do PSDB em Londrina

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