ESPAÇO ABERTO - Quanto custa uma eleição?
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quarta-feira, 19 de dezembro de 2012
Álvaro Rodrigues Junior 
Há coisas que o dinheiro não compra, mas, atualmente, não muitas. Hoje, quase tudo está à venda, como, por exemplo, uma ''barriga de aluguel'' (US$ 6.250 na Índia), um ''upgrade'' em cela carcerária (US$ 82 por dia em algumas cidades da Califórnia), o direito de lançar uma tonelada métrica de gás carbono na atmosfera (US$ 18 na Europa). É claro que nem todo mundo pode pagar por essas benesses. Mas hoje não faltam maneiras de ganhar dinheiro, tais como servir de cobaia humana em testes de laboratórios farmacêuticos para novas medicações (US$ 7.500 nos Estados Unidos) ou, ainda, leiloar a virgindade na internet. Mas se tudo pode ser comprado e vendido, quanto custa uma eleição?
Se nossa resposta se restringir ao aspecto econômico, verificamos que de acordo com a declaração de gastos do Tribunal Superior Eleitoral as últimas eleições custaram pouco mais de R$ 395 milhões, o que dá uma média de R$ 2,81 por eleitor. Assim, considerando que Londrina tem 360.500 eleitores, o gasto das eleições na cidade foi de aproximadamente R$ 1 milhão. Poderíamos acrescentar, ainda, os gastos efetuados pelos partidos e candidatos.
Por outro lado, se ponderarmos sob um aspecto sociológico, o exemplo de cidadania das mais de 5 mil pessoas que atenderam a convocação da Justiça Eleitoral para trabalhar como mesários, secretários de prédio, motoristas, auxiliares de montagem, de transmissão, do juízo, das Juntas Eleitorais, dentre outros, nos dá a certeza da grandeza de nossa gente. Isso sem falar no clima de paz e ordem nos dias da eleição, o que demonstra a maturidade de nossa democracia.
Entretanto, gostaria de responder à indagação de quanto custa uma eleição sob a ótica de um cidadão que nasceu, cresceu, estudou no Colégio Marista e não tinha receio de ser assaltado quando voltava a pé ou de bicicleta para o centro, que assistia aos jogos do Tubarão no Estádio do Café tomando suco saci, que estudou na UEL e que trabalha e cria os seus filhos nesta cidade por opção, enfim, de alguém que ama e quer sempre o melhor para Londrina.
Mas por gostar tanto de nossa cidade é que tenho dificuldades para responder quanto custa uma eleição para um londrinense. Vou dizer por que. Os três prefeitos eleitos no período de 1997 a 2009 são réus em ações civis públicas, acusados de desvio de recursos públicos, sendo que dois deles já foram condenados em 1º e 2º grau e dois foram cassados pela Câmara de Vereadores. As crises, porém, não foram exclusividade do Poder Executivo: cinco vereadores foram presos e, no total, 15 foram processados por improbidade administrativa em diversas situações.
Pergunto aos candidatos eleitos: é possível quantificar o prejuízo desses desastres? A dificuldade dessa resposta nos dá a dimensão de suas responsabilidades em seus futuros mandatos. Cabe aos senhores e a ninguém mais, a tarefa de mostrar que a política pode e deve ser diferente.
Mas para isso é preciso sempre pensar grande, como Winston Churchill, um dos personagens mais complexos e fascinantes da história. Homem algum fez mais para preservar a liberdade, a democracia e os valores que nos são caros no Ocidente. Ele buscou o poder e o conseguiu em escala crescente. Todavia, jamais implorou ou se aviltou para assumir cargos e os conseguiu segundo seus próprios termos. Não apenas conduziu a Inglaterra à vitória na 2 Grande Guerra, mas, pensando grande, sempre realizou algo que valesse a pena.
Se assim agirem, tenham certeza que estarão transmitindo, como legado desta às futuras gerações, valores que tornam a vida humana uma experiência digna de ser vivida.
ÁLVARO RODRIGUES JUNIOR é juiz eleitoral e juiz da 10 Vara Cível de Londrina


