ESPAÇO ABERTO - Quando o prazer não acontece
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de junho de 2004
Moacir Costa 
Existem muitos homens que enganosamente acreditam ter satisfação sexual. Afinal de contas para eles basta ter uma ereção vigorosa, partir para o ato, ejacular em poucos minutos e o problema está resolvido.
Ledo engano. Essa história de ''liquidar'' o assunto rapidamente é fruto da incapacidade de se envolver e se comprometer com a mulher. Isso contribui para que esses homens continuem angustiados, tensos, como se faltasse alguma coisa importante para torná-los felizes.
A rapidez ejaculatória é um verdadeiro desmancha prazer na vida desses homens, ou melhor, de casais, quando o parceiro é incapaz de cultivar a intimidade como se fosse um parque de diversão. Pelo contrário, eles têm a sensação de que a vida sexual se tornou um verdadeiro campo de batalha.
O pior disso tudo é que esses homens, até pouco tempo atrás, achavam tudo normal. As suas parceiras eram inexperientes e muitas delas não tinham tido outro parceiro sexual, pelo fato de terem se casado virgem. Isso fazia uma enorme diferença, a ponto da mulher se sentir responsável pela rapidez ejaculatória do ''macho''.
As coisas mudaram tão rapidamente, que os homens se mostram inseguros e perplexos diante da facilidade da mulher se confrontar ou mesmo das suas iniciativas que são consideradas verdadeiras ousadias, para quem sexo sempre foi tabu ou motivo de vergonha.
É lamentável, mas ainda existem homens que resistem muito em buscar tratamento e dificilmente conversam abertamente com suas parceiras sobre seus medos e incertezas sexuais. É importante lembrar que a maioria desses homens antes dos 50 anos, começa a se mostrar inseguros com receio de falhar na hora H. É inevitável a baixa do interesse sexual do casal, e a frequência se reduz tanto, a ponto de não lembrarem da última vez que fizeram sexo. Por outro lado buscam outras formas de compensação abusando das compras, passeios, ou ainda relações extraconjugais.
O problema da ejaculação rápida passa a ser do casal, à medida que o desejo sexual desaparece e não há entusiasmo nem motivação para se relacionar sexualmente; enfim, não há espaço para o prazer num relacionamento dessa natureza.
Uma boa conversa e a procura de um urologista ou um psicoterapeuta ainda é o melhor caminho.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo


