Quando era pequena lembro-me que, após a missa, no salão da igreja funcionava o jogo do bingo. Vocês se lembram das quermesses? Deliciosas recordações. Uma boa parte dos fiéis se dirigia ao salão a fim de jogar bingo e ter como prêmio - caso ganhasse - um brinde qualquer, até um frango assado. Aprendi a jogar baralho, dados, aquele joguinho de bolas de gude, dominó, cara e coroa, etc. Atualmente não sei bem o que as crianças estão jogando, porém sei que existem vários tipos de jogos eletrônicos, por exemplo. E geralmente todo jogo tem como elemento a aposta. Não é certamente uma aposta tendo como prêmio dinheiro, mas a gratificação, a alegria de vencer o ''adversário''.
O que significa isto? Significa que já na infância se desenvolve o sentido da aposta, que é o elemento básico de um jogo. Joguei muito na infância. Não me tornei bicheira, nem traficante, nem fiz lavagem de dinheiro. Meu pai, um senhor aposentado com um salário mínimo é um exímio jogador de jogo do bicho. Tem ótimos palpites. Sempre ganha um dinheirinho.
Em Las Vegas, a cidade americana conhecida como ''Capital Mundial do Entretenimento'', o jogo é legalizado e gera bilhões de dólares anuais e emprego, com seus milhares de hotéis temáticos, hotéis-cassinos e muitas atrações que atraem turistas do mundo inteiro.
Todos de alguma forma se deparam com milhares de pessoas dizendo que gostariam de tentar a sorte, uma vida melhor nos Estados Unidos, Europa, Japão, entretanto, até o momento eu não me deparei com ninguém querendo ir para a Venezuela de Hugo Chaves, para Cuba de Fidel Castro, por que será? E o que é mais triste, é a idéia acalentada de deixar seu próprio país, porque aqui está difícil até para comer.
Os governantes do Brasil precisam parar de criar falsos mecanismos de ''progresso'' e, efetivamente, trabalhar para a construção de um país gigante pela natureza, mas pobre em governos. Diminuir o tamanho da máquina burrocrática, enxugar assessorias, cargos comissionados, funções gratificadas desnecessárias, debelar o nepotismo, o fisiologismo, o clientelismo, empregando pessoas que não pertencem ao quadro de servidores públicos devidamente concursados, que não possuem compromisso algum com o cargo assumido, diminuir despesas escandalosas com políticos carreiristas, desde o terno até a conta de avião.
Nunca andei de avião, mas eu e centenas de contribuintes sustentamos a mordomia escandalosa dos ''representantes do povo''. O povo tem sua parcela de culpa? Tem. Não isento ninguém pelo caos instalado no País. Por quê? Porque o velho e repugnante jeitinho brasileiro está incravado no caráter do brasileiro. E não ousem pensar ao contrário, porque já vi muita gente rindo à-toa com a façanha do jeitinho.
Voltando ao tema principal, por que não fazem como em Las Vegas? Ou se querem mesmo acabar com os bingos e todo tipo de jogo, acabem com o elemento básico de um jogo - a aposta -, começando por destruir todos os brinquedos que sugerem aposta. Ou, então, parem com essa ironia e hipocrisia ridícula e barata. Parem de vender a imagem que estão administrando o país, e administrem de fato e de verdade, mas sem acabar com os empregos, fechar empresas. Vamos parar de desconstruir o país.
GLÁUCIA MARIA SIRIGATO é técnica administrativa em Londrina

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