ESPAÇO ABERTO - PT: 25 anos, uma outra versão!
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 04 de março de 2005
Carlos Xavier,Valmor Venturini e Carlos Delfino 
Este mês o Partido dos Trabalhadores está fazendo 25 anos. Recentemente nesta coluna, seu dirigente estadual escreveu o artigo: ''PT: 25 Anos de Contribuição Democrática''. Neste, o dirigente ressaltou grandes realizações do partido, fato este, que nenhum cidadão de bom-senso negará. Porém, omitiu a realidade que vive hoje o PT.
O dirigente afirmou que o PT é ''um partido de esquerda, socialista e democrático...'' que ao longo dos anos ''mudou sem abandonar princípios'', e que tendo abandonado ''teses esdrúxulas'', como o rompimento com o FMI, ''com responsabilidade coloca o país nos trilhos''. De fato o partido surgiu do anseio de trabalhadores e intelectuais de esquerda, inconformados com o modelo capitalista selvagem, defendiam o socialismo, combatiam a concentração de renda imoral que continua imperando em nosso país, e buscavam a democracia através da participação da sociedade, especialmente os movimentos populares.
Hoje, o PT não tem se comportado como um partido de esquerda, pois além de comungar com a ideologia neoliberal, apóia as ações de seus representantes que rezam a cartilha do FMI, e defendem o que antes combatiam incisivamente: fisiologismo, opressão aos trabalhadores, a subserviência ao capital, privatizações... Que vexame, quem diria?
O aspecto socialista também não está presente na vida do partido. Apesar do discurso de distribuição de renda, as ações de seus governantes mostram o contrário, pois beneficiam, sobretudo os grandes empresários, a indústria e o sistema financeiro. Os bancos mandam e desmandam neste país e o governo federal, com a chancela do PT, planeja a privatização do Banco Central. O crescimento econômico é para poucos, não passa de engodo, é o velho ''bolo'' que precisava crescer para depois ser dividido, como apregoava o então ministro da ditadura Delfim Neto. A distribuição de renda está restrita às políticas compensatórias de assistência social como Fome Zero, Bolsa Escola, Bolsa Família...
Quanto ao espírito democrático, bem, este o partido não vivencia há muito... Não existe mais debate nas instâncias, os movimentos populares são cooptados através de suas lideranças. Hoje o PT é contra CPI, questiona o trabalho dos promotores públicos, expulsa militantes quando estes não se calam diante daqueles que se deslumbram com o poder. Mas já dizia a senadora Heloisa Helena: ''Partidos nascem e morrem. Podem continuar vivos do ponto de vista institucional, mas mortos em sua razão de existir''.
Nós militantes, impossibilitados de fazer a devida reflexão nas instâncias do partido, vimos a público lamentar a triste realidade, sufocada nos bastidores do partido. Mas, como forma de resistência, insistimos em dizer aos dirigentes do partido que este não lhes pertence, que o PT deve voltar a ser o partido dos trabalhadores, verdadeiramente de esquerda, socialista e democrático.
CARLOS XAVIER, VALMOR VENTURINI E CARLOS DELFINO são militantes do PT em Londrina e integrantes do agrupamento interno Nossa Estrela é o ParTido


