ESPAÇO ABERTO - Proteção às crianças
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quarta-feira, 03 de março de 2004
Walmor Macarini 
De há muito eu queria falar dos perigos a que as crianças são expostas, via brinquedos e dispositivos domésticos inadequados, assim como outras impropriedades para elas, e domingo este jornal falou do assunto, alertando sobre essas coisas perigosas, e naturalmente não citou todas. Começo pelas facas de ponta. Estas deveriam ser proibidas e as que existem recolhidas, como se está fazendo com as armas de fogo. As facas pontudas são perigosas também para adultos. Milhões e milhões de assassinatos aconteceram ao longo da história praticados por meio desse instrumento perfurante. Naturalmente que as facas são necessárias, mas as pontas nem tanto, sendo mais prejudiciais do que úteis. Depois que inventaram as rombudas, percebe-se que a ponta não é fundamental. Deste canto de jornal faço um apelo à Tramontina e à Mundial para que repensem seus modelos. Com tesouras idem, até onde possível.
Fogões: estes precisam ter uma proteção superior, para evitar que crianças puxem os cabos das panelas e sofram queimaduras. Está sempre acontecendo, então não é uma hipótese. Deveria ser obrigatória essa proteção, pois se as fábricas não tomam consciência, que a lei imponha. Fósforos: se não houvesse fumantes em casa, eles seriam menos necessários. Deveria haver modelos de bolso, como os atuais, para os pitadores, e uns sem a borda de fricção na caixa, para serem usados em casa. Essa borda seria vendida à parte e fixada, por aderência magnética, em ponto alto, longe do alcance dos baixinhos. Quem quiser que ache graça, mas muitos incêndios seriam evitados.
Portas deveriam ser arredondadas no lado das fechaduras e das dobradiças, para evitar que dedos se prendam. Assim com janelas e gavetas. Eu, pessoalmente, imaginei um sistema de portas de automóveis que não prenderiam os dedos dos incautos ou inocentes. Consiste de cavidades em toda a borda que se conecta com o batente. Tomadas: estas deveriam ser colocadas em lugar alto, fora da mão dos pequenos. Parques de diversões: todos os balanços são perigosíssimos, porque no vai-e-vem alguém pode ser atingido. É um brinquedo que agrada a pequenos e grandes mas oferece sério risco. Há outros equipamentos, nos parquinhos, que podem prender mãos e que deveriam passar por fiscalização.
Remédios, inseticidas e produtos de limpeza poderiam ser fechados com aquelas tampas americanas, que não permitem a uma criança pequena abri-los. Garfinhos plásticos de festas infantis são quebradiços e deveriam ser retirados do mercado, porque perigosos para crianças e adultos. Bicicletas: estas nunca deveriam ir para as ruas onde circulam veículos, porque se é um meio de transporte de operários e de pessoas pobres, e lazer para tantos, é um grande fator de risco de acidente e morte. Melhor seria permitir que bicicletas transitem pela calçada, porque se oferecem risco de trombadas com pedestres, protegem o próprio ciclista de ser atingido por um carro. Dos males, o menor. E automóveis: criança sempre tem que ir atrás, sem ou com choro.
O homem adulto é imprudente. É ele que inventa, fabrica e vende todo esse instrumental de risco. Leis severas e rigor na fiscalização tornariam a vida das crianças mais segura. Que os parlamentares que fazem as leis comecem a pensar nessas pequenas grandes providências!
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


