Como é do conhecimento da maioria das pessoas, as mulheres se preocupam mais com a sua saúde e se submetem aos exames preventivos para evitar o câncer de mama e de útero. Com os homens, as coisas são diferentes, relutam ao máximo para ir ao medico e, em se tratando de próstata, as reações pioram muito. O câncer de próstata é o vice-campeão em mortes no Brasil, superado apenas pelo câncer de pulmão.
O mais preocupante é que existem, ainda, ''homens'' que relutam em submeter-se ao exame do toque retal, que irá dar aos médicos mais elementos para a realização diagnóstica. Além desse exame e da ultra-sonografia, o PSA - dosagem do antígeno prostático no sangue pode dar uma pista para verificar as chances de um tumor maligno.
A imprensa noticiou recentemente o alarde feito por um político baiano que considerou o toque retal ''humilhante e desnecessário''. É lamentável ouvir um homem público falar tanta bobagem, e é pior quando se trata de saúde. Mais humilhante e depressivo é se deparar com um tumor maligno! Os sintomas prostáticos começam com dificuldades de urinar, desconforto e alguns homens acreditam que a redução da sua potência após 60 anos é devido a sua próstata e que nada tem a ver com a sua função sexual.
Na realidade esses homens nem sempre têm uma parceira disposta e interessada, a ponto de aumentar o estímulo sexual necessário para obter uma ereção mais prolongada. Além disso, o uso de antidepressivos, remédios para dormir e baixar a pressão, também contribui para falhas de ereção.
A cirurgia para retirada do adenoma prostático (tumor benigno), não acarreta problemas de potência, mas o paciente tem de ser orientado para saber que após a cirurgia a ejaculação é retrógrada; o material ejaculado é jogado para a bexiga e expelido através da urina. Isso assusta os homens de início, mas quando orientados, a adaptação é mais fácil.
A cirurgia que na maioria das vezes afeta a vida sexual é aquela que remove o tumor maligno da próstata, chamada prostatectomia radical. Nessa cirurgia os feixes nervosos responsáveis pela ereção são majoritariamente lesados, provocando uma impotência definitiva. A disfunção erétil nos dias atuais com homens que foram submetidos à cirurgia de câncer de próstata, pode ser resolvida em 40%, 50% pelo uso do Viagra e outros similares. Além do tratamento à base desses medicamentos, ainda pode ser utilizada a auto-injeção no pênis, à base de prostaglandina e como outra alternativa, a implantação de prótese peniana, que devolve a potência sexual.
A prevenção é fundamental a partir dos 45 anos, anualmente, não só para evitar o câncer, mas também para se ter uma vida sexual satisfatória e melhor qualidade de vida. É uma grande tolice e atitude machista deixar de fazer esses exames, devido a tabus e fantasias de que um toque retal poderá trazer sensações incontroláveis e conflitos sexuais, que contribuem para que muitos homens passem a descuidar da sua saúde.
MOACIR COSTA é médico psicoterapeuta em São Paulo

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