ESPAÇO ABERTO - Propagandas políticas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de setembro de 2004
Jossan Batistute 
Acabou o período mais cômico da TV brasileira: as propagandas políticas dos candidatos à Câmara de Vereadores. Enquanto as redes de TV buscam novos comediantes, inventam e reinventam os atuais ''programas humorísticos'', percebe-se no âmago da sociedade todo uma grande vocação ao humorismo.
E como são criativos estes candidatos! Fazem associações das mais inesperadas. Tudo isso para tentar enfiar na cabeça dos eleitores os números mágicos que poderão elegê-los. E teve de tudo: candidato que falou muito; outro que falou pouco; aquele que sequer falou; aquele que preferiu chamar a comunidade para falar em seu nome (porém quem chamava mais a atenção eram os que tentavam conter o riso atrás dos candidatos); aqueles que chamaram o tio, a vizinha, as crianças (mesmo elas nem tendo direito a voto) e que colocou todo mundo na telinha do sucesso.
Apesar de muitas vezes as propagandas serem ridículas do ponto de vista estético, comercial e, principalmente, em relação à finalidade eleitoral, já que muitas mais atrapalharem que ajudam os candidatos, elas são um momento muito importante na cidadania nacional. É o momento que qualquer um do povo (desde que esteja habilitado para tal) toma seu banquinho, seu microfone, e na frente das câmeras durante seus longos sete segundos (às vezes três) coloca-se dentro da caixa preta (às vezes cinza) em cima da estante ou do ''rack'' e fica famoso.
Porém, se não é o rosto mas sim o coração que manda, também não é a hilaridade das propagandas políticas que interessa, e sim a essência do ato praticado. É a democracia! Esta palavra mágica muitas vezes é ofuscada pelos atos absolutistas dos líderes políticos, outras vezes totalmente desconhecida pelos próprios candidatos. É muito significativo e cheio de essência o período eleitoral.
O ato de ir à sociedade e pedir que ela decida é momento importantíssimo, pois o povo toma as rédeas do poder e pede para este mesmo povo decidir seu futuro. É ato comparado ao Tribunal do Júri, quando os cidadãos julgam diretamente o acusado que possivelmente feriu o bem mais importante de nossa sociedade: a vida humana. Tudo isso nos remete aos tempos e templos gregos em que a democracia era exercida diretamente pelos cidadãos, de própria voz, no ''tête-à-tête'', no corpo a corpo.
Em tempos pós-olímpicos na Grécia, não há melhor oportunidade para o Brasil se reinventar, se reestruturar, se democratizar. Afinal, política em sua etimologia, em seu significado mais verdadeiro, é ''a arte de fazer o bem''. Então, que exerçamos nosso direito com responsabilidade para que os eleitos façam o bem para toda a população.
JOSSAN BATISTUTE é advogado em Londrina


