ESPAÇO ABERTO - Profissionalização do agronegócio cooperativo
PUBLICAÇÃO
domingo, 09 de maio de 2010
Mylton Casaroli Neto 
Temos presenciado nas últimas décadas a busca por uma nova metodologia no que diz respeito às praticas de gestão presentes nas empresas dos mais diversos setores da economia. E essa mudança, às vezes drástica, na forma de gestão das empresas visa atingir um único objetivo: melhora de resultado. Apesar da dureza em sua operacionalização, a mudança é necessária no intuito de capacitar a empresa a manter-se viva e sustentável perante a evolução do mercado.
A mais drástica dessas mudanças, às vezes a única capaz de manter a empresa competitiva no mercado, é a mudança no quadro diretivo, ou seja, a substituição da alta direção (presidentes, superintendentes, diretores). Sabe-se que a cultura do presidente da empresa invariavelmente afetará a cultura da própria organização, influenciando nas decisões, no posicionamento dela no mercado e, consequentemente, em seu resultado financeiro-econômico.
A falta de profissionalismo gerencial é muito comum em diversas empresas familiares, onde o propósito é perpetuar o negócio da família, manter o legado de seu fundador e a honra da família. A adoção de práticas administrativas mais racionais e menos personificadas, por sua vez, não é contraproducente à perpetuação no negócio. Muito pelo contrário, é a única maneira de manter esse legado. Todavia, há muita resistência por parte dos herdeiros em colocar a gestão de seu negócio nas mãos de pessoas externas à família, mesmo que mais bem capacitadas.
Nas cooperativas vemos situação semelhante, onde a alta cúpula mantém-se inalterada. Presidentes criam verdadeiras hegemonias, longas dinastias, perpetuando, assim, as mesmas práticas administrativas por vários anos; indo contrários às novas exigências do mercado e tornando seu negócio, e de seus cooperados, menos competitivo. Sem evolução nas práticas administrativas e renovação da alta cúpula com determinada frequência a empresa tende a ficar ''parada no tempo'', negligenciando tendências, não aderindo às novas metodologias mercadológicas e mantendo seu resultado muito aquém do esperado - às vezes com déficit.
Dentro do próprio agronegócio vemos uma forte tendência na evolução dos negócios nas propriedades rurais, onde o produtor busca novas técnicas de cultivo, manejo e comercialização. A adoção de sementes transgênicas, a criação de animais exóticos e a operação de negócios na bolsa de mercadorias como garantia de preço de venda da produção são alguns exemplos de como a evolução nas práticas de negócios vem trazendo benefícios ao campo.
Concomitantemente, vemos que a sucessão do poder nas propriedades tem sido um marco nessa evolução, pois as novas gerações têm buscado grande capacitação profissional, acompanhado as tendências tecnológicas e administrativas, se mantido mais inteiradas acerca dos acontecimentos intrínsecos e extrínsecos a seu negócio e visado a evolução constante de sua capacidade de gestão.
Embora vejamos um crescente número de cooperativas visionárias adotando uma metodologia profissional de administração (que visa promover não apenas a perpetuação, mas a evolução de seus negócios), a triste verdade nos revela que na maior parte ainda jaz uma forma arcaica de gestão, baseada em valores inadequados e técnicas administrativas ultrapassadas e cuja eficácia se resume, quando presente, em resultados muito aquém do real potencial da cooperativa (e de seus cooperados).
Assim como a alvorada é o prelúdio de um novo dia, o dinamismo do mercado nos trás um novo momento, com novos acontecimentos e novas exigências. A busca por resultados positivos deve, imperativamente, contemplar essas novas exigências. O conceito de evolução infere em mudanças que, amiúde, são malquistas, mas sobremaneira necessárias para a perpetuação do negócio. Num mundo em evolução sejamos evolutivos e colheremos os bons frutos de um novo futuro.
MYLTON CASAROLI NETO é administrador de empresas em Londrina
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