Profissões que possuíam nobreza no ato e alguma realeza na remuneração, hoje contam com profissionais que lutam por um mínimo de dignidade e sobrevivência. O desrespeito com que o atual governo e alguns setores da sociedade encaram essas profissões é responsável por esta grave realidade. Esta realidade reflete diretamente nos níveis de educação e saúde da população que são indicadores básicos de desenvolvimento.

Não é preciso apresentar nenhum estudo científico para demonstrar que a capacitação, incentivo e dedicação de um profissional estão diretamente relacionados à sua remuneração, condições de trabalho e qualidade de vida que pode proporcionar a si mesmo e a sua família. Estes fatores estão extremamente desvalorizados nestas profissões. Hospitais e universidades públicas falidas de um modo geral. Universidades e planos de saúde privada com mensalidades abusivas e pagamentos irrisórios ao ato de professores e médicos. Este ciclo vicioso criou nestas profissões o ''faz de conta que paga e o faz de conta que eu trabalho'', levando a um ônus imenso jamais visto em nossa sociedade.

Atitudes como as atuais, idealizadas, cotas universitárias para diferentes raças ou classes menos favorecidas, estão longe de resolver qualquer problema e só ajudam a piorar ainda mais a situação no futuro. Existe necessidade de valorização destas classes, assim como a dos professores e médicos que vivem um caos profissional.

A atuação na educação e saúde básica, através da valorização profissional, deve ser o início do processo corretivo deste caos. Exemplo é de um professor e médico que estudou durante 6 anos no curso de graduação integral, 3 ou 4 anos de especialização e residência e mais 3 ou 4 anos para sua formação acadêmica em nível de doutorado, totalizando 12 a 14 anos de investimento na formação. Este profissional trabalha meio período (20 horas semanais) na Universidade Estadual de Londrina e o restante em clínica privada ou pública. Com salário fixo na universidade de R$ 587,00 + R$ 440,00 de incentivo por possuir doutorado (incentivo?) e uma média de R$ 30,00, por consulta, de planos privados e R$ 7,50 no público, isto sem contar os descontos abusivos dos impostos sem retornos dignos.

Sem dúvida os fatores citados de capacitação, incentivo e dedicação não serão perpetuados desta maneira. Portanto, urge o dever do governo municipal e da sociedade como um todo promover mudanças nesta realidade, para que, aí sim, possa refletir diretamente em benefícios reais para a saúde e educação de nossa população.

MANOEL CANESIN é professor da Universidade Estadual de Londrina e médico cardiologista em Londrina

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