ESPAÇO ABERTO - Privatizar a Polícia? Mais uma proposta indecente
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quinta-feira, 24 de julho de 2003
João Soares 
Mais uma vez o deputado estadual Geraldo Cartário (PSL), não se sabe a serviço de quem, volta à carga com sua ''velha'' proposta de privatizar a Segurança Pública no Paraná. O deputado apresentou recentemente, na Assembléia Legislativa, uma proposta de lei que pede o fim da exclusividade dos serviços prestados ao Estado pela polícia, liberando o efetivo para atuar também na iniciativa privada. O nobre parlamentar argumenta que desta forma os ''policiais poderão trabalhar fardados e armados para empresas ou em eventos particulares, como jogos de futebol, casas noturnas, shows e espetáculos''.
Esta idéia estapafúrdia do deputado Cartário é a mesma coisa que acender uma vela para Deus e outra para o diabo. Será que um policial estando a serviço da iniciativa privada se preocupará com o bem público ou com a população de uma forma geral? Se já vivemos uma falta de policiais nas ruas a proposta do parlamentar somente diminuirá o efetivo a serviço do Estado.
Segurança pública é algo sério e não pode ser tratada da forma que o deputado imagina. O recente e lamentável episódio ocorrido no início deste ano, quando três adolescentes morreram e 25 ficaram feridos durante um show de rock no Jockey Clube do Paraná, em Curitiba, não pode ser utilizado como motivo para privatizar a segurança pública.
O deputado deveria estar preocupado em unir esforços com a sociedade e acabar com a clandestinidade. Isto sim coloca em risco a vida de centenas de pessoas diariamente.
Nós, do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região sistematicamente estamos denunciando todos estes casos que envolvem o trabalho clandestino junto aos órgãos competentes. Mas parece que todos fazem vistas grossas a este real problema, que cresce na mesma proporção geométrica da violência urbana.
No ano de 2000 denunciamos diversos policiais que, contrários ao estatuto da corporação, faziam e continuam fazendo os tais ''bicos'', trabalhos clandestinos como segurança em casas de shows, espetáculos, festas particulares e que acabam provocando tragédias como estas aqui relatadas. Na ocasião tivemos até a nossa integridade física ameaçada através de telefonemas anônimos, mas não nos calamos. Levamos até o Ministério Público tais denúncias. Só que infelizmente assistimos novamente o mesmo filme triste da ausência do simples cumprimento da lei. Segurança é caso sério e tem que ser feita por pessoas capazes, preparadas para tal.
A proposta do deputado Cartário vai contra o pensamento do governador Roberto Requião, que sistematicamente tem dito que seu governo pretende resgatar a auto-estima da Polícia e do próprio funcionalismo, através do respeito, diálogo e recuperação das defasagens salariais acumuladas em quase uma dezena de anos e que isto é consequência do descaso durante anos de glória do neoliberalismo, que apenas pensou na privatização do Estado. O governador assinaria um decreto que privatiza a polícia?
JOÃO SOARES é presidente do Sindicato dos Vigilantes de Curitiba e Região e da Federação dos Trabalhadores em Segurança Privada do Paraná


