Reclamamos da ineficiência e lentidão da justiça brasileira em inúmeros processos. Nos Estados Unidos, onde a justiça é considerada rápida e eficiente, alguns processos não só conseguem bons resultados como indenizações milionárias nos surpreendem. Recentemente três processos e suas consequentes sentenças judiciais chamaram a atenção lá e aqui. Exóticos demais.
Carl Truman, de 19 anos, de Los Angeles, pediu despesas médicas no valor de US$ 74 mil de um motorista de carro que passou em cima de sua mão, obrigando-o a fazer uma cirurgia de reconstituição da mesma. Até aí nada de mais. Chegamos à conclusão que, em um país que a justiça protege o cidadão atropelado, a sentença foi a mais correta possível. Só que o fato inusitado vem a seguir. A vítima só sofreu esmagamento em sua mão por que estava roubando a calota do carro. O motorista deu a partida e nada percebeu. Por isso, esmagou a mão do ladrão. Mesmo roubando um carro, Truman recebeu indenização de mais de R$ 200 mil. Inacreditável!
E não pára por aí. Terence Dickson, de Bristol, roubou uma casa e quando quis sair pela garagem o portão estava enguiçado. Tentou voltar para a casa, mas a porta da garagem havia batido e ele ficou preso. Como os donos estavam viajando, permaneceu dez dias trancado na garagem alimentando-se de ração de cão e latas de pepsi. Saiu de lá e foi direto ao advogado, que entrou com um processo contra o dono da residência. Recebeu uma indenização de US$ 500 mil por ''angústia mental indevida''. Se os ladrões brasileiros descobrem essa..
E mais uma! Merv Grazinski, de Oklahoma, levou o motor home para a estrada regulou a velocidade em 190 Km/h e saiu do volante para fazer um cafezinho. O motor home capotou. Grazinski processou a fábrica por não estar escrito no manual do veículo que o motorista teria que permanecer na direção com o mesmo em movimento. Ganhou um motor home novo e uma indenização de US$ 1,75 milhão, o equivalente a cerca de 5,5 milhões de reais.
É difícil acreditar. Coisas de país civilizado, e muito estranho. O código do consumidor lá praticamente dá sempre direito ao consumidor, mesmo que ele deixe o volante de um veículo em movimento. Isso me lembra pessoas que vejo dirigindo um carro e, ao mesmo tempo, penteando o cabelo ou atendendo o celular. Se batesse lá, iriam receber uma nota de indenização.
Em um país em que Bush é presidente, tudo isso é possível. A lógica e o bom bom-senso vão para o espaço mesmo. Não é de hoje que processos estranhos são abertos por lá, com sentenças judiciais mais estranhas ainda. Espero que por aqui nunca cheguem e nunca tenham sucesso essas sentenças judiciais que premiam o absurdo.
ANTÔNIO LUCHETTI é publicitário em Londrina

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