Quem caminhou pelo campus da UEL, no mês de março, pôde deparar-se com três faixas diferentes das usuais: ''Preconceito, eu?''; ''Reveja seus conceitos''; ''Se liga. A UEL mudou''. No primeiro dia de aula, perguntei aos meus alunos do quarto ano de Psicologia se notaram as faixas. A grande maioria se deu conta da novidade, porém, ao serem questionados sobre o que fizeram com a pergunta, ficou claro que não exercitaram a auto-reflexão, como acho que aconteceu com a maioria dos que frequentam o campus. Possivelmente, o grupo que colocou as faixas tenha tido um propósito específico: suscitar a reflexão para a questão das cotas. O fato é que as faixas foram muito oportunas para meu primeiro dia de aula, pois estava dando início a uma disciplina que trata de moralidade, ética e preconceito.
O que é um preconceito? De maneira simples, podemos dizer que é um conjunto de idéias preconcebidas, negativas, sobre uma questão, uma pessoa ou um determinado grupo de pessoas. São idéias que nos tornam arredios em relação àquilo que julgamos e, sendo preconcebidas, significa que julgamos sem conhecer devidamente. Podemos dizer, também, que preconceito refere-se a atitudes que dificultam nosso exercício cotidiano de tolerância e respeito à diversidade humana. Até que ponto a vida de cada um de nós está impregnada de preconceitos? Que implicações isto tem para o bem-estar de cada um e para a vida em comunidade?
Comumente, as pessoas dizem: ''Eu não tenho preconceitos! Eu respeito todos os que são diferentes de mim ou que pensam diferente de mim''. Na verdade, se pararmos para pensar, veremos que a intolerância marca as nossas interações com os diferentes, mesmo dizendo que os ''respeitamos''. Ao invés de negar, admitir para si próprio seus preconceitos já é primeiro passo para superá-los. E quando o preconceito está dentro de casa? Alguns tipos de diversidade têm, no lar, a maior fonte de intolerância, quando pais ou irmãos tratam com preconceito aos que fogem aos padrões de ''normalidade''.
Sempre achamos que o que pensamos é o certo, mas, como diz a psicóloga Naumi de Vasconcelos, ''pode acontecer que aquilo que pensamos ser ''nossa'' verdade não seja senão o eco de uma voz que não é nossa, que vem de fora e que apenas reproduzimos. Saber reconhecer de onde vem essa voz é um primeiro passo para a conquista de nossa verdade.'' Em todas as questões ligadas à vida humana, não podemos nos posicionar com a ''cabeça no século XX''. Se pegarmos como referência, por exemplo, as grandes transformações que se processaram nos últimos tempos no relacionamento homem-mulher, concluiremos que o mundo vem exigindo de nós a revisão dos nossos pontos de vista e dos nossos comportamentos na relação com o outro, em todos os âmbitos sociais. Afinal: ''Se liga! O mundo mudou!''
MARY NEIDE DAMICO FIGUEIRÓ é psicóloga, doutora em Educação e professora do departamento de Psicologia da Universidade Estadual de Londrina

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