ESPAÇO ABERTO - Por uma outra Independência
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de setembro de 2003
Adriano Moreira Trindade 
A proclamação da Independência do Reino Unido do Brasil em 7/9/1822 foi decorrente de uma conjuntura política que antagonizava os interesses de brasileiros e portugueses no início do século XIX. A elite brasileira estava revoltada com várias medidas impostas pelo governo lusitano que impedia o crescimento econômico do Brasil. Pois bem, passados 181 anos a verdadeira independência ainda não se concretizou. Deixamos de ser uma colônia portuguesa para ser uma tutela da Inglaterra: a independência foi obtida em razão do Brasil concordar em assumir uma dívida de dois milhões de libras esterlinas por um empréstimo feito por Portugal em Londres.
Eis aí o início de nossa dívida externa, hoje calculada em mais de 191 bilhões de dólares, ou aproximadamente 600 bilhões de reais. Para se ter uma idéia de tamanha gravidade, este ano o governo irá pagar entre os juros e amortização da dívida externa mais de 120 bilhões de reais, valores que poderiam ser investidos para minimizar os problemas internos tais como: educação, segurança, saúde e na geração de empregos.
O PIB (Produto Interno Bruto, soma das riquezas produzidas pelo país em um ano), de acordo com alguns especialistas poderá até cair 0,5 ou crescer em 1,5% neste ano o que é muito pouco para um país que visa o desenvolvimento econômico. A efeito de comparação a Argentina com toda crise que passou terá um crescimento de 4% neste ano, o que significa isso? A Argentina não pagou um dólar desde que decretou a moratória da dívida externa, passando assim, a investir internamente. O Brasil precisa planejar uma forma de decretar a moratória, caso contrário dificilmente, conseguirá crescer economicamente. Cabe ressaltar que sou favorável em decretar a moratória para podermos negociar os prazos e os juros da dívida e não há um calote.
Voltando ao feriado de 7 de setembro, marcado pela ''Independência do Brasil'', verifica-se, atualmente, que a maioria das escolas não dá mais tanta importância à Semana da Pátria. O que se tem visto é quase um silêncio em torno de um acontecimento e uma ausência na vontade de comemorar a data que por muitos é lembrada apenas como um mero feriado. Não quero confundir governo com pátria, eis que o primeiro é efêmero, enquanto nossa pátria será eterna.
Devemos nesta semana nos orgulhar do nosso Brasil, das nossas virtudes, como nação e como país, do nosso folclore, que fazem das disparidades regionais um mundo falando a mesma língua; nos orgulhar de nossas florestas, praias, biodiversidade, maior acervo de águas doce do planeta, de sermos um dos países que têm maior sucesso em combate à AIDS, de sermos o único país do hemisfério sul participante do projeto genoma (clonagem), de termos a Petrobras, a Embraer, as urnas eletrônicas que foram copiadas pelos EUA e outros países, em nosso país não tem terremotos, nem vulcões, temos a Itaipu, e as Cataratas do Iguaçu e o Pró-álcool.
Lamentável, é termos orgulho do nosso país uma vez a cada quatro anos, onde nos vestimos de verde amarelo, colocamos as bandeiras em frente de casas e nos carros. Mas ao que se deve tal orgulho de ser brasileiro só nestes períodos de Copa do Mundo uma vez que estamos nos tornando uma população cada vez mais politizada e com consciência crítica? Temos que nos orgulhar todos os dias de nosso país. Lembre-se, que país e nação é diferente do governo, e da política. Precisamos encarar a independência como um longo processo de ruptura, ou seja, desagregação do atual sistema de submissão ao FMI para constituir o Estado nacional, transformando nossos sonhos de cidadãos em fazer um Brasil melhor.
ADRIANO MOREIRA TRINDADE é graduado em Geografia, pós-graduado em Análise Ambiental em Ciências da Terra pela UEL e membro da Associação de Geógrafos do Brasil


