Há um crime maior que a corrupção dos cofres públicos. É a corrupção das consciências de homens e mulheres pobres e sem estudo que, abandonados pela sociedade, agarram-se a promessas vis de governantes sem caráter. O político sem escrúpulos, cujo método é o aliciamento moral, é uma espécie que viceja como erva daninha, adubado pela miséria social.
A periferia de Londrina não é mais a Vila Brasil e a Vila Casone. Hoje, ela é distante, densa, carente e cresce gestada na promessa irresponsável do emprego e moradia. Seus habitantes vieram da roça ou cidades menores, onde foram acostumados ao dono da fazenda que batizava o filho, dava o remédio na doença, apadrinhava o casamento da filha. Não entendendo as sutilezas dos que os exploram, reproduzem com os maus políticos a mesma relação subalterna de suas origens simples. Assim, o político passa a ser a encarnação do antigo patrão, que tudo provê. É influente, já que eles não têm a ninguém. E, se roubar, não importa já que, segundo uns, todos roubam. Ele pisa o barro, promete emprego, toma cerveja no mesmo copo, pega o nenê no colo, dá cesta básica. Logo, se estabelece a troca de favores e, nesta barganha criminosa, corrompem-se as consciências.
Esta história se dá com o povo humilde. Mas, e a história que acontece com os estudados que compactuam com esta farsa? Esta é mais triste, pois ocorre com os que se vendem sabendo que o fazem. São os hipócritas, que frequentam igrejas com a mesma desenvoltura com que brindam seu uísque à esperteza do político-chefe em uma boate qualquer.
E a parte da gente que não se corrompe, onde está? Atualmente, está irada, incrédula, incendiada, batendo-se contra um passado de vergonha. Mas, que farão se, nestas eleições, derem um basta ao populismo e elegerem Nedson? Começarão a tratar com mais respeito a empregada doméstica? Permitirão que seus empregados participem dos lucros da empresa? Estimularão sua educação política? Deixarão de pressionar o professor do filho preguiçoso para aprová-lo na escola? Deixarão de sonegar impostos, furar sinal vermelho, jogar lixo na rua, buzinar à noite, subornar o guarda? Sim, porque os pequenos crimes são o caldo de cultura onde cresce o político criminoso.
Acabar com o populismo é diferente de acabar com o populista, pois este é filho da sociedade que discursa valores, mas nem sempre os pratica. Por isso, populista não é oriundo só da gente pobre. É errado pensar que se Londrina tivesse menos pobres teria menos populistas.
Dia 31, vamos enfrentar nossos fantasmas. Duelar com o que nos assombra. A vitória de Nedson não é suficiente para resolver isso. É um passo, como outros de administrações passadas e idôneas. Todavia, sem este, os outros passos custarão demais a serem dados outra vez.

LUIZ EDUARDO CHEIDA é ex-prefeito de Londrina e atual secretário de Meio Ambiente do Paraná

mockup