O mercado de materiais para construção no Brasil é formado por aproximadamente 105 mil lojas e um faturamento estimado em R$ 34 bilhões por ano, cerca de 4% do PIB brasileiro. Este mercado pertence ao segmento do construbussiness, que representa mais de 12% do PIB do país e emprega aproximadamente 3 milhões de pessoas.
A atratividade do segmento no Brasil é elevada devido ao altíssimo déficit habitacional existente que é estimado em 14 milhões de moradias, sendo 6,5 milhões de déficit e mais de 7,5 milhões de moradias inaptas para o uso humano.
Embora nos últimos anos o poder de compra e o PIB do setor tenha diminuindo , grandes ôplayers" mundiais do varejo da construção civil aportaram por aqui desde 1995. Mas o varejo da construção civil no Brasil ainda é pouco explorado. Oitenta e quatro por cento das lojas tem até mil metros quadrados, 58 % do total tem faturamento de até R$ 100 mil mensais e 53 % tem até 10 funcionários que, na sua maioria, são empresas familiares.
O mercado americano do segmento é estimado em US$ 365 bilhões e os dois maiores varejistas detêm aproximadamente 24% do mercado e estão presentes em todos os estados americanos. Comparando estes dados com o mercado nacional, os dois maiores varejistas no Brasil detêm aproximadamente 5% do mercado estimado e estão presentes somente nos mercados de São Paulo e Rio de Janeiro.
O que tem prejudicado o setor nos últimos anos é a falta de uma política habitacional consistente e duradoura por parte do governo, diminuição drástica de investimentos na ultima década em infra-estrutura como saneamento básico e por último a diminuição do poder de consumo da população que não consegue investir na melhoria ou na construção de novas unidades.
Sabemos que o grande sonho das famílias é a casa própria. Por isso, não temos dúvidas que um pequeno aumento sustentável da renda da população aqueceria o varejo de materiais para construção. No segundo semestre de 2002, antes das eleições presidenciais, a expectativa em relação ao futuro governo levaram os brasileiros a investir em bens concretos e houve uma bolha de consumo concentrada em quatro meses que superou a expectativa dos varejistas e da própria indústria, chegando a faltar produtos nas gôndolas. Esperamos que isso se repita de forma real, e que faça parte do poder de consumo da população.
Creio que todos que investem nesse segmento estão aguardando essa reação da economia e o aumento do poder de consumo da população. As histórias se repetem, e o ciclo dos bons momentos existe para todos os setores de negócios, como hoje esta acontecendo com o agronegócio em todo o Brasil. Como varejistas do setor, estamos investindo, construindo, gerando empregos e impostos, acreditando no país e num futuro próximo de retomada ainda no Governo Lula.
JULIANO BORTOLOTTO é empresário do ramo de materais de construção no Mato Grosso e no Paraná

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