Londrina se destaca como uma grande prestadora de serviços na área de saúde. Várias estruturas hospitalares públicas e privadas, clínicas particulares e laboratórios, formam uma rede de atendimento de grandes proporções atingindo um contingente enorme de pessoas e uma área geográfica que abrange diversos municípios do Paraná, de São Paulo, de Santa Catarina, do Mato Grosso e até mesmo de outros países limítrofes ao nosso e outros Estados próximos.
Essa vocação regional foi desenvolvida ao longo de vários anos e é constantemente reforçada com a incorporação de novas estruturas hospitalares em instituições públicas e particulares. Novos cursos de graduação e pós-graduação, ligados diretamente ou indiretamente à área de saúde nas instituições de ensino superior locais, surgem com uma frequência cada vez maior como a recente abertura do curso de Medicina na PUC.
Londrina é referência nacional e internacional em vários setores da medicina. Tem um grande contingente de recursos humanos altamente qualificados. O HU da UEL, por exemplo, é centro de referência especializada e de alta complexidade em cardiovascular, neurocirurgia, tramauto-ortopedia, oncologia e várias outras áreas. Outros hospitais, laboratórios e clínicas do município são também referência em várias especialidades e oferecem serviços e atendimento com padrão de qualidade.
Essa característica de Londrina é, entretanto, ainda pouco aproveitada no contexto do desenvolvimento econômico-industrial local e regional. Se Londrina é um polo de serviços em saúde, não é um polo de inovação tecnológica nem se destaca em termos industriais nessa área. Aliado a isto desde a descapitalização da cidade com o fim abrupto e inesperado do ciclo da cafeicultura, sobre a qual se estruturava sua economia regional, vários índices econômico-sociais demonstram que Londrina encontra-se em um processo de perda de arrecadação comparativamente a outros municípios paranaenses e da região Sul, com a diminuição da renda per capita, e menor capacidade do poder público de enfrentar os crescentes desafios do desenvolvimento.
Contudo, se esse é um problema recorrente, sobre o qual várias lideranças do município se manifestam com alguma frequência aqui mesmo neste espaço, me parece que as características mencionadas da cidade na área de saúde se apresentam como uma oportunidade.
O aproveitamento do contingente qualificado de recursos humanos existente no município e o aproveitamento de uma vocação local permite aprofundar a discussão sobre o desenvolvimento da cidade. Um processo de industrialização, consoante com os atuais paradigmas de desenvolvimento, poderia ser desencadeado com a formação de um parque industrial voltado à produção de bens que incorporem tecnologia e produtos com inovação na área biomédica. Esta é uma forte possibilidade de se aliar uma vocação sedimentada já existente no município com o desenvolvimento econômico industrial local e regional.
Essa proposta foi apresentada 20 anos atrás em um estudo sistematizado no projeto ''Proposta de industrialização para Londrina e região baseada no desenvolvimento de um polo tecnológico''. No momento, uma importante iniciativa vem sendo desenvolvida pela Adetec, por meio de seu Núcleo de Empreendedorismo e Inovação, com o ''Projeto de inovação sistêmica'' que agrega 15 empresas na área de saúde de Londrina e região visando a criação de mecanismos de estímulo à gestão da inovação nas mesmas.
Entretanto, a essa iniciativa empresarial outras devem ser tomadas para que se possa aproveitar essa vocação do município também em seu desenvolvimento tecnológico e industrial. É importante a retomada dessa discussão no momento em que as forças políticas, em função do processo eleitoral, se debruçam sobre a realidade municipal para a elaboração de propostas para futuros governos. Em um próximo texto voltaremos a esse tema.

IVAN FREDERICO LUPIANO DIAS é professor do departamento de Física da UEL, diretor da Adetec e autor da proposta de criação de um Polo Tecnológico em Londrina

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