ESPAÇO ABERTO - Política, Marina e sustentabilidade
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de outubro de 2010
Sirlei Bennemann 
Como funciona a política no Brasil todos nós conhecemos. O melhor conceito, conforme o dicionário Aurélio é: ''Arte de bem governar os povos''. A questão que estamos vivendo agora é que tem muita gente candidata para atuar nesta ''arte'' porque tem muitas vantagens para fazer isso no Brasil. Por outro lado, existem muitos problemas por causa da ignorância de uma grande parcela da população que entende politicagem como política.
Esclareço mais, o que realmente estamos vivendo é politicagem, pois a todo o momento estamos sendo pressionados por politiqueiros, aqueles indivíduos que usam processos menos corretos em nome da política. Os politiqueiros não têm propostas para o Brasil, mas usam o que sabem dos outros políticos ou politiqueiros para fazer intrigas e mexericos desfazendo as propostas para a arte de governar.
A ex-presidenciável Marina Silva, uma verdadeira política, cansada da politicagem e das pressões, deixou o governo do PT, fez uma caminhada maravilhosa neste processo eleitoral e acredito que fez muita gente pensar na arte de bem governar na política. E, agora, o que fazer nesta politicagem que anda por aí que também a grande maioria não quer saber o que significa?
Os eleitores de Marina querem saber para que lado ela seguirá para poder segui-la. Ela se colocou numa sinuca, pois no Brasil ainda não temos essa consciência. Levaremos anos, talvez décadas, para atingir essa maturidade. Os ditados populares sempre têm verdades, e um bem adequado para esta situação é: ''Cada povo tem o tipo de governante que merece''.
Na questão da sustentabilidade, pelo menos no Brasil, ainda temos chance, pois temos muita riqueza para desperdiçar, gastar ou para cuidar. Infelizmente, esta é a principal responsável por ainda vivermos tantas politicagens. Digo isso, porque muita riqueza é desperdiçada para obter lucros e para sustentar as campanhas políticas (ou melhor, campanhas de politicagens). Nós ainda não temos ideia do que foi gasto nas campanhas para as eleições, nem de quantos projetos começaram e não serão acabados, nem de quanta biodiversidade foi destruída inutilmente, nem de quantas pessoas foram iludidas e nem de quantas formas de corrupção foram realizadas.
Sugiro fazermos um exame de consciência: vamos perceber as pessoas que estão ao nosso redor e nós mesmos o que estamos fazendo. A sustentabilidade só é possível se tivermos consciência em não desperdiçar, principalmente, em não destruir os nossos preciosos recursos naturais com politicagem para convencer os outros. Temos que valorizar a proposta de Marina Silva, pois todos nós também somos independentes. Vamos deixar de ouvir e fazer mexericos, de fazer pressão para este ou aquele candidato. Senão, estaremos também fazendo politicagem. O nosso voto deve ser para a melhor proposta de sustentabilidade para todo o Brasil e não, como costumamos fazer, votarmos nas pessoas que mostram vantagens imediatas e apenas para nossos interesses particulares.
Marina, que defende a ''arte de bem governar os povos'', votará em quem apoiará programas de sustentabilidade. Mas como não conheço o interesse particular dela, acredito na independência dela em escolher, assim como eu, não quero ser convencida, tenho minhas convicções e acredito que não faço politicagem.
SIRLEI BENNEMANN é doutora em Ecologia e Recursos Naturais e professora da Universidade Estadual de Londrina


