Dentro da teoria política de Maquiavel, Rousseau, Montesquieu, Gramisci, cada um em seu tempo histórico, podemos afirmar que é impossível falar-se em política, no verdadeiro sentido da palavra, se esta não estiver referida ao seu caráter democrático. Ora, por que isto deveria ser assim, sabendo-se que a humanidade, desde o seu alvorecer histórico, tem convivido com formas distorcidas e alienadas de política, num contínuo cerceamento das condições razoáveis para que a democracia pudesse realmente aflorar no seio do povo?
Sem dúvida, isto foi sempre o resultado do enorme poder de manipulação que as lideranças mundiais exercem sobre outros povos, este visto sob a forma de rebanho, massa inerte de manobras, úteis para legitimar as mais perversas formas de dominação (vide o nacional-socialismo de Hitler!)
Como se vê, as democracias capitalistas espalhadas pelo mundo de nossa época, isto é, desde do meio do século passado não refletem, nem de longe, o que poderia ser uma verdadeira vivência democrática, desafio maior de toda a infra-estrutura cultural que nos sustenta, esta mesma incapaz de prover os meios para a sua adequada eclosão. Não obstante, ao meditarmos um pouco a respeito das exigências principais que a prática democrática nos coloca, podemos constatar que tais condições não são de todo inatingíveis.
1) É impossível falar-se em democracia sem ética. Ora, é evidente que a própria idéia de participação integrada dos segmentos políticos representativos da sociedade exige a disseminação, entre eles, de elevados padrões de honestidade, lealdade, franqueza, desprendimento e espírito público, sem os quais a democracia não se concretizará.
2) É impossível falar-se em democracia sem fazer referência à cidadania. Ora, se esta se corporifica a partir da noção básica do exercício de direitos e deveres, fica meridiano que onde está forte a consciência cidadã, aí está também forte o espírito democrático.
3) É impossível falar-se em democracia onde não há tolerância e pluralismo de idéias. Não obstante, a convivência pacífica dos antagonismos políticos requer a consciência muito forte de alguns princípios básicos que sustentam a integração do povo como ''corpo'', verdadeiras barreiras que não devem ser ultrapassadas pelas lutas ideológicas, tais como: quais os interesses maiores da coletividade nacional? Quais os preços a serem pagos pelas mudanças propostas? quais os segmentos sociais que serão mais beneficiados? Como fica a continuidade do esforço nacional?
Enfim, não é isso que o governo dos Estados Unidos está mostrando para o mundo com o ataque desnorteado contra cidade de Falujah, que chegou atingir o maior hospital da cidade. Pois bem, toda reação tem uma ação e daqui para frente os rumos da modernidade tomarão um outro sentido nas relações internacionais.
ARTHUR CONCEIÇÃO é cientista político em Curitiba

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