No processo de abertura política no Brasil muitos intelectuais afirmavam que a melhor maneira de oxigenar a democracia nascente era criar condições de assegurar o pluripartidarismo. Depois de 25 anos percebe-se que no Brasil vigora, de fato, há mais de 16 anos, o bipartidarismo entre PT e PSDB. Os demais partidos - representativos ou nanicos - mantêm-se na constelação PT/PSDB, firmando posições muitas vezes espúrias que os tornam ainda menores na oferta de propostas ao país. Contudo, são habilidosos negociantes de miudezas que barganham na redondeza palaciana.
O país testemunhou há pouco a criação de um novo partido político, o PSD, comandado pelo atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Pelo que consta é o 28º partido fundado após a redemocratização do país. E está a caminho a criação do PPL, Partido Pátria Livre, 29º partido a compor o mosaico da política brasileira.
Aspecto a notar nos partidos políticos é a postura pouco ideológica que assumem perante a opinião pública. De saída, as três possibilidades de vinculação partidária - esquerda, centro e direita - foram veementemente contrariadas pelo fundador do PSD, ao dizer que o novo partido não era de centro nem de direita nem de esquerda. Ou seja, um partido vazio de ideologia que resume ser de coisa alguma.
Resta saber qual a finalidade de um partido sem ideologia ou bandeira a sustentar? Talvez a mesma de um livro sem palavras ou ideias a demonstrar. A conclusão, então, é que um partido ou livro nesse formato não servem para nada. É aí que nos enganamos!
Recentemente uma matéria publicada em um jornal mostrava que, atualmente, é mais vantajoso vender editoras do que livros. Revelação evidente de que, no mercado, a rentabilidade econômica fala mais alto que conceitos e ideais. É preferível vender o próprio negócio a divulgar novas ideias. No plano da política parece não ser diferente. É igualmente preferível um partido que sirva de moeda de troca no câmbio negro da política do que esperar que o mesmo assuma a promoção de ideias no âmbito do debate nacional.
O PSD, logo após homologação pelo TSE, assumiu posição de centro, autorizando aos seus filiados perfilhar discursos que, aos poucos, aproxime o partido da base governista. O PSD, é bom lembrar, surgiu das cinzas do ''Democratas'' - uma repaginação do PFL - que a contragosto do processo democrático, há quase uma década, foi colocado na oposição do governo petista.
O PT já havia ensinado que o pragmatismo na política é capaz de aniquilar ideologias e encolher bandeiras, inclusive as da esquerda. Agora, o pragmatismo alcançou intensamente o outro lado da moeda: a direita incomodada na oposição.
O atual cenário partidário brasileiro, com novos atores e constituído por uma geração já distante do embate entre direita e esquerda, tem assumido a inclinação de transformar a política em uma questão mais pragmática e menos ideológica. Nessa paisagem é preferível aos partidos marcar presença no centro, com um discurso morno, acompanhando a direção que sopra os ventos do poder. O PMDB, a esse respeito, tem know-how acumulado há mais de 20 anos e indica, seguramente, o script que trilhará o novel e já pujante partido kassabista.

CLODOMIRO JOSÉ BANNWART JÚNIOR é professor de Ética e Filosofia Política na UEL e EDERALDO ROGÉRIO BANNWART é licenciado em Sociologia


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