ESPAÇO ABERTO - Pobres ricos e ricos pobres
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quarta-feira, 02 de junho de 2004
Walmor Macarini 
Riqueza e pobreza, se são condições materiais, são também estados de consciência. Porque há pobres que são ricos, e ricos que são pobres. Quem é pobre e consegue ir enriquecendo progressivamente, é capaz de bem administrar sua riqueza. Quem nunca conheceu riqueza e fica rico de repente, não tem consciência do quanto tem e poderá não saber administrar tanto valor. A repentina opulência pode embriagar a pessoa, e não é difícil que perca o que ganhou. Já um rico com experiência de vida de riqueza e que eventualmente venha a perder o que tem, dificilmente ficará pobre por muito tempo. Porque a riqueza está em seu registro interno e ele a segue e a alcança de novo.
Pobre convicto tem muita probabilidade de continuar pobre, porque ele tem em si o registro de pobreza. Dizer-se que riqueza e pobreza têm muito de opção pode parecer perverso, mas assim é. Porque tal é uma lei mental. Natural que, quando a pessoa está afundada em miséria extrema, será para ela mais difícil sair de tal situação, porque falta-lhe até a consciência de que há caminhos de saída. Seria insano esperar que, nesse estado, lhe seja fácil reerguer-se. Há que ajudá-la, sobretudo no sentido de fazê-la crer que é possível. Uma dose de muito amor incondicional será necessária nesses casos.
O que é um pobre rico? É o que consegue ter abundância mesmo possuindo pouco. Porque a fartura nele é um estado de alma. Ele se doa e é capaz de dar o pouco que tem, e incrivelmente nada lhe falta. É como um poço: quanto mais água se tira dele mais água ele verte, e a fonte nunca se esgota. E existe o rico pobre, cheio de dinheiro mas escravo dele. Vive miseravelmente, como medo de perder tudo. Acumula fortuna e não a gasta, tendo pena de comprar até as coisas básicas, para não descapitalizar-se. Parece que guarda para a velhice e fica velho guardando. Não dá função ao dinheiro, não o faz girar e assim contribui para o estancamento do progresso.
Há rico honesto, cumpridor de suas obrigações, mas apenas essas e nada além; há o rico generoso; e há o rico que chega à prática do logro, prejudicando pessoas que com ele se envolvem por relações de trabalho, negócios ou outras. Considera a velhacaria uma esperteza.
Certo é que quem já experimentou a riqueza, independente de ser mesquinho ou não, poderá perdê-la porém a terá na mente e não tardará que a reencontre. Já o pobre, este costuma dizer que é ''por vontade de Deus'', e então continuará pobre, ignorando que a vontade é dele próprio. Porém, o mais pobre dos pobres é o que maldiz os ricos e os culpa pela sua condição, e assim afasta ainda mais a riqueza, pois a riqueza não aprecia quem não a reverencia. Amar a riqueza, com consciência e sem apego, já é ingressar nela. Não é um mal, se a pessoa souber ser rica/rica e não rica/pobre. Um rico avarento é um rico/pobre; um rico pródigo é um rico/rico, e a riqueza lhe faz bem e se estende aos que estão ao seu redor. Quem permitir a riqueza a alcançará, porque tal permissão abrirá os portais da prosperidade.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina


