ESPAÇO ABERTO - PMDB, candidatura própria: legítima e necessária
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 24 de outubro de 2003
Paulo Salamuni 
A revitalização do PMDB depende de uma única condição: colar-se ao povo, ser sua voz e sua esperança, para realizar as reformas de grande envergadura necessárias à superação do impasse, sem impor sacrifícios intoleráveis ao País. Junto com o povo brasileiro, o PMDB derrotou a ditadura. Com enorme sacrifício, sustentou o período confuso e difícil da transição política, para legar ao Brasil uma Constituição legítima.
Apesar dos sacrifícios, o PMDB teve atuação consciente e tranquila no cumprimento desse mister. Junto com o povo brasileiro, o PMDB comemorou a promulgação da Constituição vigente. Para realizar esta travessia histórica sem risco de retrocesso, o PMDB assumiu, conscientemente, o desgastante encargo de sustentar o governo fraco e heterogêneo da ''Nova República''.
É essencial retomar o diálogo direto com o povo. É preciso explicar que o PMDB honrou seu compromisso com a democracia, foi fiel ao seu programa, nunca agiu de má-fé, nem traiu os interesses da população brasileira.
É necessário ter coragem política para discutir e assumir as falhas de nossa responsabilidade. É imperioso explicar ao povo, com clareza insofismável, que o PMDB sacrificou politicamente o seu maior líder, Ulysses Guimarães, portanto ambos não merecem levianas acusações de oportunismo, pois aceitamos pagar um preço muito alto pela coerência e principalmente para assegurar a conquista da democracia na Constituição Cidadã.
Nos 310 anos de história de Curitiba, o PMDB ocupou por duas vezes a prefeitura da cidade, no período de 1983 a 1985, com Maurício Fruet nomeado pelo governador José Richa, e com o inestimável apoio do então deputado estadual Roberto Requião; e depois, no período de 1986 a 1988 quando o mesmo deputado estadual, Roberto Requião, foi eleito prefeito em memorável eleição, em 1985, quando no início contava com apenas 6% de aprovação nos índices de pesquisa à época, contra 60% do ex-prefeito Jaime Lerner.
O PMDB no Paraná foi poder com as eleições de José Richa, em 1982, com Álvaro Dias, em 1986, e Roberto Requião em 1990, este último, voltando ao poder pela vontade popular ao governo do Estado em 2002, sendo que nesta eleição não houve coligações no primeiro turno, eleito no segundo turno, vencendo os dois turnos na cidade de Curitiba.
Em recente pesquisa realizada pela empresa Foco Pesquisas, a qual já trabalhou para o PMDB na campanha ao governo do Estado, foram ouvidos 252 eleitores filiados ao PMDB, e contatou-se que mais de 75% destes são favoráveis à candidatura própria. A margem de erro estimada pela Foco é de 5%.
Entendo legítima e necessária a candidatura própria do PMDB no primeiro turno das eleições de 2004, sob pena de soçobrar o maior partido do Brasil, desintegrando-se em Curitiba e ficando no Paraná refém de pseudo-alianças, com as salvaguardas importantes e necessárias.
Este será o meu voto e concito todos peemedebistas lúcidos de Curitiba que façam a coerência imperar, votando pela candidatura própria. Em Curitiba, o PMDB sobreviverá, em que pese alguns de seus altos dirigentes, trabalharem por outras legendas partidárias que não as suas próprias.
PAULO SALAMUNI é vereador pelo PMDB em Curitiba


