Londrina é hoje palco de uma inovação inédita em matéria de direito. No novo Código de Processo Penal, de uso exclusivo da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) de Londrina, há um artigo que diz: ''Em se tratando de policiais todos são culpados até que provem sua inocência''. Pelo novo estatuto a ordem natural de apuração de um fato é completamente invertida. Primeiro o cidadão é preso e depois tem início a investigação para verificar se cabia ou não a prisão.
A Polícia Federal desencadeou recentemente a ''Operação Anaconda''. Foi um sucesso. A PIC, após a fuga ocorrida no 4º Distrito de Polícia, também desencadeou uma operação semelhante que deveria ser batizada de ''Operação Cobra Cega''.
Em outro artigo recente afirmei que assim como nem todos os magistrados negociam habeas corpus com traficantes e nem todo promotor de justiça executa covardemente sua esposa grávida como ocorreu em São Paulo, e nem todo policial pelo simples fato de ser policial é corrupto. Afinal, nosso país seria um paraíso se a corrupção existisse somente nos meios policiais.
Acredito que, ao contrário do que diz o adágio popular, é possível sim aliar a rapidez com a perfeição. Só não é possível aliar rapidez com preconceito. Todo pensamento generalizador é errôneo. Nossa sociedade vive um clima Sherlockiano onde todos querem investigar, não pelo ato da investigação em si, que é árduo e difícil, mas pelo simples fato de estar na mídia.
Com todo respeito e admiração que nutro pelo Ministério Público, infelizmente alguns promotores foram afetados pela ''síndrome Maria Clara'' (celebridade), o que não é de forma alguma recomendável a um profissional da investigação. Nesta profissão não há espaço para amadorismo porque dia após dia lidamos com os dois maiores bens do ser humano: a vida e a liberdade.
Policiais corruptos devem ser investigados e punidos. A polícia pelo poder que lhe é facultado deve sim ser rigorosamente fiscalizada, mas há que se preservar a integridade e os direitos dos policiais como cidadãos.
O que dizer a um policial que foi preso e teve seu nome envolvido em um crime do qual sequer teve participação? Louvável a atitude do promotor que ainda teve a ombridade de admitir o erro, mas caso não haja uma mudança na forma de atuação deste órgão, em breve a PIC passará a ser sinônimo de pressa, ineficiência e cegueira. Os profissionais que atuam na área da investigação não podem jamais sentir encanto pelas luzes dos holofotes, sob pena de um dia as luzes dos holofotes ofuscarem por completo a luz da razão.
CLÁUDIO MARQUES DA SILVA é delegado de Polícia Regional da 27 Delegacia Regional de Polícia de Paranacity (PR)

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